quarta-feira, 4 de setembro de 2013

A Matilde, a escola, e eu.

É...isto não está a ser fácil. Nunca pensei que seria simples...mas confesso que não imaginava o quanto ia custar. A mim. À ela.

Resolvi matricular a Matilde na escolinha depois de muito ponderar, de ouvir diversas pessoas da área da educação infantil, e sobretudo, depois de chegar à conclusão de que esta era a necessidade da minha filha. Cortar esse cordão umbilical que ainda nos liga com tanta força, dar a conhecer novos obstáculos, novos desafios, novas pessoas. Dar mundo à minha cria. 

Neste Verão, a Matilde começou a sentir-se mais confiante em estar com outros adultos. Com os tios e tias, com os amigos da família. Fala deles em casa, pergunta por cada um. Logo ela, que era uma bebé que estranhava tudo e todos, e até bem tarde. Quem a conhece, sabe bem. Por ter estado quase 27 meses em casa comigo, sempre-sempre-sempre comigo, não era de estranhar que tivesse o cuidado de conhecer bem a pessoa com quem ia lidar. Não está a ser este o problema do infantário, de todo. A Matilde não estranha a educadora, a auxiliar, ou quem quer que seja. Pelo contrário, é à elas que se apega, pede colinho todo o dia. Elas têm sido o seu porto de abrigo nesta difícil etapa de estar sem a mãe.

A Matilde está a sofrer. Pura e simplesmente, a sofrer. Sente a falta das minha mãos, do meu cheiro, da minha voz. Sente falta da boa vida que tinha em casa, da comidinha sempre feita à sua medida, do iogurte no lanche de todos os dias. Sente falta de estar na mimalhice comigo, de acordar quando lhe apetece, de adormecer para a sesta junto ao meu calor.

Ela está a sofrer, e eu sofro tanto ou mais. À distância, quietinha, preocupada, atenta a tudo. Sinto que estou ligada à tomada 24h por dia. Nem preciso dizer que estou exausta. O adormecer à noite tem sido complicado, e o descanso é pouco. Durante o dia, estou sempre a pensar como estará a correr, como será o dia de amanhã, até quando vou aguentar...sim, porque já estive mais longe de entregar os pontos, de fraquejar, de falhar. De forma consciente, sou razoável. Entendo que é preciso insistir, que é normal, que será pior se deixarmos para o futuro. Entendo e me recolho para juntar as forças que preciso. Eu sei o quanto tem sido difícil lutar contra esta culpa que sinto de forma inconsciente. Eu sei o quanto me custa deixar entrar pelas janelas o seu choro sofrido, vindo da escola, que fica mesmo aqui ao lado. Eu choro, sento, levanto, e volto a sentar. Limpo as lágrimas de mãe e vou tentar tratar das minhas coisas. Tentar pôr a vida em dia. Não consigo, e volto a chorar, sentar e levantar. Tonta pela casa. Que grande, enorme, tortura.

Sei que o choro dela é normal, é esperado, mas a verdade é que os outros meninos não têm tido tanta dificuldade. Isso me preocupa sim, mas o que mais custa é saber que tem rejeitado a comida. Qualquer que seja. Sopa, fruta, leite...tudo.Ontem, também não quis jantar em casa. Adormeceu com um bocado de leite e só. Hoje, voltou a recusar a comida na escola, e isto eu disse directamente que não aceitava. Disse que queria ser chamada neste caso, para que em conjunto, pudéssemos arranjar uma solução. Em último caso, eu iria até lá. Não achamos que é o ideal, que me veja lá. Achamos que vai atrasar a adaptação. Porém, não podemos, de todo, deixar que não se alimente. Assim, à hora do almoço telefonaram e eu sugeri levar um boião de sopa da Nestlé e fruta em copo de vidro. É a comida de "passeio" da Matilde, e ela sabe que é de vez em quando...ou seja, é de aproveitar. Era a minha última tentativa por hoje, depois de tantas lágrimas, de tanto pensar, de tantos telefonemas. Era isto, ou lá ir dar a comida, e provavelmente, trazê-la para casa. Mal viu a "comida", associou à mãe e voltou a chorar. A escola pediu que eu lhes desse um tempo para tentar, o que eu achei justíssimo. Ao fim de uns minutos, esta mãe ansiosa recebeu um telefonema que soube a um forte abraço. Ela havia comido tudo. Chorei...de alívio! Como se me tivessem tirado um peso enorme de cima. Falei com a minha menina ao telefone e descansei. Ela estava pronta para a sesta, e alimentada, eu sabia que iria descansar bem.

Como o combinado, por volta das 14h30 telefonaram e eu fui buscar a minha princesa. Dormiu bem, mas já começava a choramingar, e achamos todos que por hoje bastava. E bastou. Nem preciso dizer que fui a correr. A Matilde foi me receber à porta, choramingou nos meus braços, como quem fazia queixinhas da minha ausência...e me chamou para entrar. Sim, toda contente, quis que eu fosse à sua sala. Brincamos juntas, fomos ao escorrega, e com alguma insistência, tomou um copo de sumo e comeu um pedaço de bolo. Chorou para ir embora, o que mostra que gosta de lá estar...e que o problema é mesmo este "corte" entre nós. Está dividida entre a rotina de estar comigo, e o querer lá estar. Que grande confusão vai naquela cabecinha...

Em casa, está a mesma Matilde de sempre...o que também quer dizer que não há problemas para além do esperado. Está feliz, brincalhona e esperta.

Não vejo a hora de passar por tudo isto...e sentir que valeu à pena. De a ver com os amigos, de a ver crescida, de a ver com umas bonitas asas. Conto os minutos, literalmente, para esta luta abrandar, para o meu coração acalmar. Uma coisa está decidida: Não vai lá ficar por muitas horas seguidas. A seguir à sesta, lá vou estar para dar o meu abraço e o meu sorriso. Até que tudo não passe de um pontinho no horizonte. Até que ela queira lá estar com os outros miúdos. Até que o seu voo seja mais seguro. Até lá, ninguém lhe tira a Barbie das mãos, o peluche do sono, e a chupeta...que voltou a reinar com mais força do que nunca. Como as educadoras dizem..."uma coisa de cada vez".

Ai...tinha tantas coisas ainda para falar...mas nunca mais saía daqui! :p Vamos continuar neste contacto...porque vocês têm sido o meu motor para continuar com força. Sem o vosso apoio, sem o vosso testemunho, sem a vossa amizade...o meu coração teria murchado nestes dias. OBRIGADA! :)

Como eu disse no Facebook..."tenho descoberto que mãe é um bicho muito amigo"! :)

Muitos beijos, e um abraço apertado.

10 comentários:

  1. Minha linda tenho lido tudo com atenção nestes últimos dias e como faço sempre. Não tenho dito nada porque não sei o que te dizer, pois ainda não passei por isso! Um coisa te digo cada dia que passa o meu coração está mais apertadinho por ver o vosso sofrimento. FORÇA MINHA AMIGA!!! Isto é uma fase vais ver que vai passar depressa. Beijinho gigante para as duas do fundo do coração.

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    1. Oh, Diana...sempre uma querida!!! ❤
      Obrigada por tanto carinho...
      Um beijo enorme!

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  2. Achas mesmo que esse aperto no peito constante vale a pena? Achas assim tão importante para o desenvolvimento dela estar no infantário? Na minha opinião, antes dos 3-4 anos não há necessidade de fazer as crianças passar por essa separação dos pais. Está-se sempre a tempo de reverter uma situação se ela nos causar sofrimento. Um beijinho

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    1. Oh...respondi como comentário à parte! :p

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    2. Tenho lido os posts, e não tenho comentado pq a m/ última experiência não foi das melhores (como tal, p/ não "influenciar"). Em relação à m/ C. (agora c/ 3 anos), pensava eu que ao entrar no colégio iria correr bem, tal como aconteceu com a + velha (agora com 18 anos). Acontece que td correu mal em Set.12, pq ela deixou de comer, beber, dormir e inclusivamente deixou de fazer as s/ necessidades (quer em casa, quer no colégio) tão frequentemente qt fazia. Nós aguentámos, até nos começarmos a aperceber que não eram só estes os sinais. Tb se "fechou" p/ td a gente que a conhecia. E nas s/ brincadeiras começámos a achar estranho a forma como lidava com os "seus bebés", nomeadamente as conversas que tinha com eles (sp a gritar) assim como, os comentários nos ralhetes que lhes dava, e que literalmente os mandava "contra a cama, qd não queriam dormir".
      Tentámos falar com a educadora por diversas vezes, e na sua opinião a família não lhe podia dar mt importância. Como!?!?!? Trata-se da m/ filha, e mediante tantas evidências não lhe vou dar importância??? Que educadora é esta? Para ela td era normal (esqueceu-se que não éramos pais de primeira viagem)! Entretanto questionámos a educadora nomeadamente pelo facto de ela ter deixado de fazer xixi, e se ela estava assim tb no colégio, pq é que não comunicavam aos pais. A resposta é que nem se tinham apercebido!!!! :-/ Sem falar na roupa e chucha da menina que vinha sp td sujo com restos de comida. E a sua roupa interior chegou a vir td suja com restos de fezes (qd as fazia). A explicação da educadora é que a criança queria fazer sp td sozinha, e mts das vezes ela é que se limpava a ela própria!!! Ou seja, pq td isto foi um período mt complicado, em que dp se revertia em enormes birras (de chegar ao ponto de no consultório da pediatra, se mandar p/ o chão e ao fazer 1 birra enorme fez xixi pelas pernas abaixo).
      Se estes eram os comportamentos, e a educadora não estava p/ nos apoiar (a nós e à criança), após consulta tb com a pediatra, fui à procura de novo colégio.
      Qd entrou no novo colégio, estava mt assustada e "trepava por mim acima" (ao que me disseram que isso indicava que ela não teria tido as melhores experiências). Ficou nesse colégio "à experiência". Deixei-a lá e vim à rua, e a directora do colégio disse-me que queira que eu dp voltasse p/ ver com os m/ olhos em como a m/ filha estava bem. Voltei, e ela estava mt bem disposta, a brincar, e qd chegou à hora da sesta, demorou 1 pouquinho a adormecer, mas dp ficou (dormiu pouco, já que a C. qd não conhece o espaço e as pessoas é mt resistente ao sono, sp assim foi). Ligaram-me a dizer o que tinha almoçado e como tinha sido até ali. Ao final do dia a m/ Princesa vinha bem, e disse-me: "Mamã, amanhã quero ir p/ a Patrícia (novo colégio), não quero a Catarina (1º. colégio)". Resumindo, ao 2º. dia liguei p/o colégio inicial a dizer que m/ filha não voltaria :-) P/ nós pais, foi 1 alívio mt grande.
      Com a mais velha nunca tivemos estes problemas, mas tds eles são diferentes, tal como nós. E não há ninguém que conheça tão bem os nossos Príncipes e Princesas como nós, pelo que, somos nós os responsavéis pelo seu bem estar. A m/ opinião é que podemos até errar nas n/ escolhas, mas fazêmo-las sp com 1 certeza e objectivo, queremos sempre o melhor para eles. Pessoalmente acho importante eles andarem no colégio (pessoalmente esteve com os avós durante 2 anos, mas tb tem os s/ contras). São td experiências. Até hoje não consigo esquecer e dá-me 1 aperto enorme, só de pensar no que a m/ filha pode ter passado naquela instituição (que curiosamente tive que pedir "favores" p/ ela lá entrar). Não compensou em nada.
      Deixo este meu desabafo, que serve para isso mesmo - 1 desabafo. Não quero de maneira nenhuma influenciar, nem assustar. A decisão cabe aos pais.
      Desejo as maiores felicidades e que encontrem a melhor solução sobretudo para a criança. Bjs, mts Felicidades e sobretudo muita força Mãe. ;-)

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  3. Na verdade-verdadeira...acho importante este contacto com outras pessoas, para que ela ganhe confiança. Acredito mesmo que é positivo socializar a partir dos 2 aninhos, ou quando começam a mostrar este interesse. É o caso da Matilde. Mas cada criança é única e não há duas iguais. Cada uma tem um tempo próprio e há situações muito particulares. Se vale a pena este aperto? Estou perto de achar que não...mas como a decisão de entrar no infantário foi muito ponderada, a decisão de sair de lá tb vai ser...os próximos dias dirão. Se ela rejeitasse e nem quisesse lá entrar...se não quisesse sequer acordar, levantar e sair de casa...seria tudo diferente. Mas ela vai tão animada, e está tão feliz qd lá estou...que resolvi nos dar o tempo da adaptação. :)
    Vamos ver as cenas do próximo capítulo...lol!
    Beijinhos nossos!

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    1. Quando perguntei se valia a pena foi com base na minha experiência pessoal. A adaptação do meu Minúsculo foi muito difícil com 3 anos, ficava a chorar, eu vinha embora a chorar... Se fosse hoje jamais nos teria sujeitado a esse sofrimento: se não queria ficar, não ficava. Beijinho

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  4. Também já passei pelo mesmo... no ano passado, mas a minha Leonor tinha 3 anos!!
    Sempre esteve comigo ou com a avó e os primeiros 15 dias foram um sacrifício muito grande :(!!!
    Ficava sempre a chorar... tinham que me tira-la do colo quase à força e eu "desaparecer" logo... ela ficava a chorar e eu vinha a chorar!!!
    Quando a ia buscar nunca queria vir para casa, o que significava que gostava de lá estar... o que custava era mesmo a separação... até porque ela todos os dias o que me pedia era que eu ficasse com ela na escola todo o dia!!
    Devo dizer que apenas durou 15 dias... 2 semanas intermináveis... de um momento para outro passou a adorar a escola, acho que percebeu que era necessário deixar a mãe para poder brincar mais à vontade com os amiguinhos...
    Pensei que agora após as férias voltasse a não querer ficar... pois passou todo o mês de agosto comigo e, nem pensar, estava cheia de saudades da escola e tem ficado feliz e contente a brincar com os seus amiguinhos!!
    Tudo vai correr bem!! Mas também acho que os 3 anos são a idade ideal para entrar na escolinha e socializar...
    Beijinhos, força e coragem!!

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  5. Amiga Linda, vc esta sendo uma guerreira hein? Quero primeiramente q saiba que estou orgulhosa de vc! Acho sim muito importante VC e a M terem essa separação por algumas horas do dia, ela precisa entender que existe um mundinho lá fora q ela pode fazer amiguinhos e se sentir segura em outro espaço que vai ser dela tmb, mas claro q nada disso é fácil assim, né? Tenho acompanhado sua preocupação, desespero, tristeza, nesses dias, mas deixe o tempo passar hoje foi só o 3º dia dela de tanto grudada em vc =) não é nada fácil, né? daqui a um tempo vamos vê q tudo isso valeu a pena, não compare a M com as outras crianças, cada uma tem seu tempo, suas limitações, medos... confie que tudo vai caminhar bme logo logo, disso tenho certeza!
    te amo e estou morrendo de saudades!!! =********

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  6. Olá querida! A minha filha foi na terça-feira pela primeira vez para o colégio. Eu estava cheia de medo! Ficou lá 2h30 e correu bem. O pior foi sair de lá...
    Calma. Custa, acredito, mas agora não convém voltar atrás. Como disse, ela gosta de lá estar, a separação é que lhe é mais difícil e isso ela tem de superar para bem dela própria.
    Muitos beijinhos e força.

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