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quarta-feira, 4 de setembro de 2013

A Matilde, a escola, e eu.

É...isto não está a ser fácil. Nunca pensei que seria simples...mas confesso que não imaginava o quanto ia custar. A mim. À ela.

Resolvi matricular a Matilde na escolinha depois de muito ponderar, de ouvir diversas pessoas da área da educação infantil, e sobretudo, depois de chegar à conclusão de que esta era a necessidade da minha filha. Cortar esse cordão umbilical que ainda nos liga com tanta força, dar a conhecer novos obstáculos, novos desafios, novas pessoas. Dar mundo à minha cria. 

Neste Verão, a Matilde começou a sentir-se mais confiante em estar com outros adultos. Com os tios e tias, com os amigos da família. Fala deles em casa, pergunta por cada um. Logo ela, que era uma bebé que estranhava tudo e todos, e até bem tarde. Quem a conhece, sabe bem. Por ter estado quase 27 meses em casa comigo, sempre-sempre-sempre comigo, não era de estranhar que tivesse o cuidado de conhecer bem a pessoa com quem ia lidar. Não está a ser este o problema do infantário, de todo. A Matilde não estranha a educadora, a auxiliar, ou quem quer que seja. Pelo contrário, é à elas que se apega, pede colinho todo o dia. Elas têm sido o seu porto de abrigo nesta difícil etapa de estar sem a mãe.

A Matilde está a sofrer. Pura e simplesmente, a sofrer. Sente a falta das minha mãos, do meu cheiro, da minha voz. Sente falta da boa vida que tinha em casa, da comidinha sempre feita à sua medida, do iogurte no lanche de todos os dias. Sente falta de estar na mimalhice comigo, de acordar quando lhe apetece, de adormecer para a sesta junto ao meu calor.

Ela está a sofrer, e eu sofro tanto ou mais. À distância, quietinha, preocupada, atenta a tudo. Sinto que estou ligada à tomada 24h por dia. Nem preciso dizer que estou exausta. O adormecer à noite tem sido complicado, e o descanso é pouco. Durante o dia, estou sempre a pensar como estará a correr, como será o dia de amanhã, até quando vou aguentar...sim, porque já estive mais longe de entregar os pontos, de fraquejar, de falhar. De forma consciente, sou razoável. Entendo que é preciso insistir, que é normal, que será pior se deixarmos para o futuro. Entendo e me recolho para juntar as forças que preciso. Eu sei o quanto tem sido difícil lutar contra esta culpa que sinto de forma inconsciente. Eu sei o quanto me custa deixar entrar pelas janelas o seu choro sofrido, vindo da escola, que fica mesmo aqui ao lado. Eu choro, sento, levanto, e volto a sentar. Limpo as lágrimas de mãe e vou tentar tratar das minhas coisas. Tentar pôr a vida em dia. Não consigo, e volto a chorar, sentar e levantar. Tonta pela casa. Que grande, enorme, tortura.

Sei que o choro dela é normal, é esperado, mas a verdade é que os outros meninos não têm tido tanta dificuldade. Isso me preocupa sim, mas o que mais custa é saber que tem rejeitado a comida. Qualquer que seja. Sopa, fruta, leite...tudo.Ontem, também não quis jantar em casa. Adormeceu com um bocado de leite e só. Hoje, voltou a recusar a comida na escola, e isto eu disse directamente que não aceitava. Disse que queria ser chamada neste caso, para que em conjunto, pudéssemos arranjar uma solução. Em último caso, eu iria até lá. Não achamos que é o ideal, que me veja lá. Achamos que vai atrasar a adaptação. Porém, não podemos, de todo, deixar que não se alimente. Assim, à hora do almoço telefonaram e eu sugeri levar um boião de sopa da Nestlé e fruta em copo de vidro. É a comida de "passeio" da Matilde, e ela sabe que é de vez em quando...ou seja, é de aproveitar. Era a minha última tentativa por hoje, depois de tantas lágrimas, de tanto pensar, de tantos telefonemas. Era isto, ou lá ir dar a comida, e provavelmente, trazê-la para casa. Mal viu a "comida", associou à mãe e voltou a chorar. A escola pediu que eu lhes desse um tempo para tentar, o que eu achei justíssimo. Ao fim de uns minutos, esta mãe ansiosa recebeu um telefonema que soube a um forte abraço. Ela havia comido tudo. Chorei...de alívio! Como se me tivessem tirado um peso enorme de cima. Falei com a minha menina ao telefone e descansei. Ela estava pronta para a sesta, e alimentada, eu sabia que iria descansar bem.

Como o combinado, por volta das 14h30 telefonaram e eu fui buscar a minha princesa. Dormiu bem, mas já começava a choramingar, e achamos todos que por hoje bastava. E bastou. Nem preciso dizer que fui a correr. A Matilde foi me receber à porta, choramingou nos meus braços, como quem fazia queixinhas da minha ausência...e me chamou para entrar. Sim, toda contente, quis que eu fosse à sua sala. Brincamos juntas, fomos ao escorrega, e com alguma insistência, tomou um copo de sumo e comeu um pedaço de bolo. Chorou para ir embora, o que mostra que gosta de lá estar...e que o problema é mesmo este "corte" entre nós. Está dividida entre a rotina de estar comigo, e o querer lá estar. Que grande confusão vai naquela cabecinha...

Em casa, está a mesma Matilde de sempre...o que também quer dizer que não há problemas para além do esperado. Está feliz, brincalhona e esperta.

Não vejo a hora de passar por tudo isto...e sentir que valeu à pena. De a ver com os amigos, de a ver crescida, de a ver com umas bonitas asas. Conto os minutos, literalmente, para esta luta abrandar, para o meu coração acalmar. Uma coisa está decidida: Não vai lá ficar por muitas horas seguidas. A seguir à sesta, lá vou estar para dar o meu abraço e o meu sorriso. Até que tudo não passe de um pontinho no horizonte. Até que ela queira lá estar com os outros miúdos. Até que o seu voo seja mais seguro. Até lá, ninguém lhe tira a Barbie das mãos, o peluche do sono, e a chupeta...que voltou a reinar com mais força do que nunca. Como as educadoras dizem..."uma coisa de cada vez".

Ai...tinha tantas coisas ainda para falar...mas nunca mais saía daqui! :p Vamos continuar neste contacto...porque vocês têm sido o meu motor para continuar com força. Sem o vosso apoio, sem o vosso testemunho, sem a vossa amizade...o meu coração teria murchado nestes dias. OBRIGADA! :)

Como eu disse no Facebook..."tenho descoberto que mãe é um bicho muito amigo"! :)

Muitos beijos, e um abraço apertado.

quarta-feira, 17 de julho de 2013

Birras: quem aguenta?

Já ouviram falar da "adolescência da infância"? Trata-se daquela altura em que a criança começa a ter noção do "eu", a perceber que é um indivíduo, e que portanto, tem vontades e desejos, e pode ter o poder de decidir por si. Ela começa a lutar pelo seu espaço, gritando, batendo nos outros e armando fenomenais birras. Pode acontecer, mas não é uma regra, entre os 18 meses e os 3 anos.

Eu nunca tinha escutado falar nisto, mas tendo em vista que tenho uma miúda com 2 anos, e que os comportamentos começaram a fugir ao habitual, andei a pesquisar. Sim, sou destas que vão à procura de tudo e mais alguma coisa, e que querem entender ao pormenor cada fase dos miúdos. Sou assim com tudo, não tivesse eu estudado jornalismo... :p

Os 2 aninhos são difíceis, e ninguém, de todo, me avisou. Não estava preparada, e nem sequer entendi bem o que se estava a passar...até que determinados comportamentos passaram a fazer parte do dia à dia...e fui ler, ler, ler...

Pois bem. Eu não estava louca, e a minha miúda não está a passar por nada anormal. Vou explicar do início, para que entendam do que falo, e ao mesmo tempo, vou dar dicas de como os pais devem agir nesta altura.

Há dias, a Matilde começou a chorar por tudo e por mais alguma coisa.  Quando não pode fazer algo, chora. Quando não quer algo, chora. Quando o pai vai trabalhar e ela quer ir à rua também, chora. Quando tomo banho, e ela também quer tomar (embora já tenha tomado 2 ou 3), chora. Mas se a meto no chuveiro comigo, chora, porque afinal queria estar lá fora. 

Quando estou a comer e ela quer (sempre) que eu faça outra coisa qualquer, chora. Quando entra no carro, chora. Quando, sai, chora. Quando volta a entrar, chora. Quando é interrompida em qualquer actividade, chora. Quando vai embora de qualquer lugar, chora. Quando vai para a cama, chora (apesar de estar morta de sono e adormecer passados 10 minutos). 

Estou convencida de algo que eu já sabia desde os seus primeiros meses: eu nasci para ser mãe. Entendo cada uma das suas birras, e respeito. Não perco a paciência, não grito, não falo mal. Dou colo quando acho que devo dar (ou quando realmente preciso de alguma paz). Tento distrair quando está mesmo irritada, e me baixo ao seu nível para explicar o que está mal, ou ensinar como algo deve ser.

Não sou santa. Muitas vezes fico enlouquecida, claro. Mas é, puramente, uma questão de auto controlo. Respiro fundo, e por instinto, só quero tratá-la bem. Nunca perco a cabeça e a trato de forma agressiva! Explico, falo com calma...e por vezes, ignoro. Acho que muitas vezes, ignorar é o essencial. É preciso fazer de conta que não se ouve nada. Sem público, não há espectáculo. Certo?! O meu marido não consegue. Está pouco em casa, e por isso, é difícil lidar com tantas birras, principalmente quando são nas horas de refeição e sono.

Ele diz que já não pode ouvir a menina sempre a chorar e gritar. E é mesmo. Ele tem razão. É enlouquecedor. Bem...é para isso que existem as mães...certo? com a sua capacidade ímpar de compreender e aconchegar...e de ralhar da forma certa. Nem mais, e nem menos. São coisas que só as mulheres são capazes, e eu tenho a certeza disto. Que me desculpem os homens leitores deste blog...

E não levem a mal. O João é um pai exemplo. Um querido, cuidadoso, e que proporciona as mais deliciosas brincadeiras. Com ele, a diversão está garantida. Mas quando o sapato aperta, é aqui a mamã que tem melhor jeitinho para a coisa. Com vocês acontece o mesmo?

Por isto tudo que escrevi, vou partilhar com vocês o que é a chamada "adolescência da infância", e as sugestões de como ultrapassar esta fase sem grandes dramas. É uma situação comum, e talvez este post possa ajudar alguém na mesma situação. ;)




1. O que é a chamada “adolescência do bebê”?

A adolescência do bebê, primeira adolescência ou os “terrible twos” – terríveis dois anos, em inglês –, como citado na literatura, é a fase em que a criança passa a se comportar de modo opositivo às solicitações dos pais. De repente, a criança que outrora era tida como obediente e tranquila passa a berrar e espernear diante de qualquer contrariedade. Bate, debate-se, atira o que estiver à mão e choraminga cada vez que solicita algo. Diz não para tudo, resiste em seguir qualquer orientação, a aceitar com tranquilidade as decisões dos pais, para trocar uma roupa, sair de um local ou guardar um brinquedo. Para completar, não atende aos pedidos e parece ser sempre do contra.

2. Esse comportamento é comum em qual idade?

Normalmente, acontece a partir de 1 ano e meio até os 3 anos de idade.

3. Existe alguma causa?

A causa para esse período é simplesmente o próprio desenvolvimento natural da criança. A fase dos 2 anos de idade é um período de grandes mudanças para ela. Até então, o pequeno seguia os modelos e as decisões dos pais. Gradualmente, ele passa a se perceber como indivíduo, com desejos e opiniões próprias, e isso gera uma enorme necessidade de tomar decisões e fazer escolhas por si. Sem dúvida, isso acaba gerando uma grande resistência em seguir os pedidos dos pais. Não é exatamente uma ação consciente da criança, mas uma tentativa de atender a esse desejo interior, a essa descoberta de si como um ser independente dos pais. No entanto, ao mesmo tempo em que ela quer tomar suas decisões, ainda tem muitas dificuldades para fazê-lo, dado que ainda não tem maturidade suficiente. Ela discorda até dela mesma! Se você pergunta o que ela quer comer, naturalmente ela responderá: “Macarrão”. Mas, quando você chega com o prato de comida, ela diz: “Eu não quero isso!” Suponha que você está com pressa para ir a algum lugar. Seu filho está de ótimo humor até você dizer: “Preciso que você entre no carro agora”. Ele fará tudo, menos atender à sua solicitação. É uma fase difícil para os pais e também para as crianças. É uma experiência intensa emocionalmente e repleta de conflitos, pois, ao mesmo tempo em que a criança busca essa identidade, ela não quer desagradar seus pais – por mais que isso não pareça possível.

4. Existe alguma maneira de evitar que o bebê passe por isso?

Não há a necessidade de tentar evitar esse período e nem há como fazê-lo. O importante é conhecer e lidar de modo construtivo com essa fase dos pequenos.

5. Todas as crianças passam por isso?

Não é uma regra. Algumas crianças demonstram essas características mais intensamente do que outras.

6. Como agir quando a criança se joga no chão e grita em um lugar público, como o supermercado e o shopping?

Primeiramente, descarte palmadas, tapas, puxões de orelha ou qualquer outro comportamento agressivo para tentar conter uma birra. Antes de sair, converse com o seu filho e o contextualize sobre o passeio. Se for supermercado, por exemplo, diga como espera que ele aja, o que ele poderá pegar para si etc. Se forem a um restaurante, faça o mesmo, explique aonde vão, como espera que a criança se comporte e as consequências para o seu mau comportamento. Jamais ceda às manipulações, como choros, pedidos de ajuda e reclamação de possíveis desconfortos. Avise-o de que só vai conversar depois que ele se acalmar. Opte por disciplinar a criança após a birra, que é o momento em que ela está colocando para fora sua frustração e seu descontentamento. Após ela parar de fazer a birra, você se abaixa para conversar. É sempre muito importante que a criança compreenda o que fez e o porquê de sua ação. Evite dar broncas e repreender seu filho na frente de outras pessoas para que ele não se sinta constrangido e você também. Uma dica bacana para mudar o foco da birra é chamar a atenção da criança para outra situação. Mostre um objeto ou comece a falar de outro assunto. Ignorar a birra costuma dar ótimos resultados. Em lugares públicos, se a birra persistir e você estiver se sentindo constrangida, tire o seu filho do ambiente sem demonstrar irritação e sem conversar. Sua atitude mostrará desaprovação.

7. O que fazer quando o pequeno bate nas pessoas quando é contrariado?

Esse “bater” normalmente é a expressão do seu descontentamento, o que, no caso, não é aceitável. É importante ressaltar que as crianças, assim como nós, adultos, também ficam bravas, tristes, frustradas e chateadas – isso é natural do ser humano. Ao longo da vida, ela vai se deparar com diversas situações que despertarão esses sentimentos nelas e a infância é a melhor fase para aprender a lidar com esses sentimentos inevitáveis. Assim, se quiserem contribuir de modo positivo com o desenvolvimento emocional e psicológico dos pequenos, os pais devem parar de tentar poupá-los de situações frustrantes e passar a explicar esses sentimentos, apontando caminhos para que consigam lidar com eles. A criança não nasce sabendo a lidar com seus sentimentos, ela testa suas ações e vai construindo seus modos de agir.

Quando ela bate em alguém, imediatamente deve ser contida e, em seguida, os pais devem abaixar-se na altura da criança, olhar fixo em seus olhos e com voz firme conversar que entendem que o pequeno esteja bravo, mas que sua atitude é inaceitável. Explique que, se aquilo voltar a acontecer, haverá consequências negativas para ela, citando quais serão. Lembre-se de que essas consequências deverão ser algo possível de ser feito porque, se a criança repetir o comportamento desaprovado, você deverá cumprir o que falou.

8. E quando a criança bate com a cabeça na parede ou faz coisas para se machucar porque ouviu um “não”?

Em geral, as crianças recorrem a esse tipo de autoagressão como mais uma tentativa de conseguir a atenção dos adultos e, quase sempre, conseguem porque descobrem que esse comportamento provoca comoção nos pais. Por mais que possa preocupar, os pais devem manter a ideia de que “sem plateia não há show”. O ideal é conter a ação da criança sem dar atenção ou demonstrar comoção pela atitude. Você pode, por exemplo, colocar um travesseiro ou uma almofada embaixo da cabeça dele e sair de perto, ou tire o pequeno do local onde está sem conversar e coloque-o em um ambiente mais seguro. Sem conseguir chamar sua atenção com a autoagressão, a criança vai buscar outras possibilidades, como apagar e acender a luz, ligar e desligar equipamentos eletrônicos etc. Só fique atenta para a possibilidade de esse comportamento estar refletindo algum problema emocional, que, aí sim, merece a atenção dos pais.

Se a criança começar a apresentar comportamentos autodestrutivos, como se arranhar, bater em sua cabeça e puxar os cabelos, frequentemente em situações cotidianas, vale a pena consultar um especialista porque isso pode indicar uma tentativa da criança de evitar o contato com algo que esteja lhe causando angústia.
FONTE: http://bebe.abril.com.br/materia/a-terrivel-crise-dos-2-anos

terça-feira, 12 de março de 2013

Desabafo de mãe


Tenho dias em que a paciência me falta, e muito. Enquanto mãe, posso dizer isto? Posso, não posso?  Porque é exatamente nesta tarefa, que sinto perder a santa calma. Que me desculpem desde já, os pais que conseguem falar baixinho e mansinho todo o tempo. Sinceramente, adorava ser assim. Mesmo. Mas, há dias em que a sanidade me escapa por completo.

A minha M é mexida como tudo! Não pára! Acreditem. Hora está a saltar em cima do sofá, hora está a acender e a apagar as luzes, hora está a saltar no meu colo, enquanto tenta arrancar 98 cabelos meus. Dá-me tapas, e crava as unhas na minha bochecha, dando altíssimas gargalhadas. Grita, estridentemente, centenas de vezes em 24 horas. Não adianta ensinar que não, com calma ou sem calma. Nenhuma das receitas resultou, para já.

"Oh, mamã! Salta!"
 "Oh, mamã! Lê!"
"Oh, mamã! Dá bolacha! Pão! Coiate! Massa! Arroz! Batata!". 

Sim, isto por aqui é a pedir seguidinho, umas delícias atrás das outras, e a qualquer hora do dia. E se eu digo: "Não, porque é hora do leite...", lá está aquele dedo minúsculo no ar, a abanar, enquanto a cabecinha se pôe de lado... "Nã-não! Sopa!". Oh pá...não há paciência...o que vale, é que a criança é gira, e é minha filha...pronto. Senão...ai, senão...nem sei!

Se quero cozinhar, pede colo. Se quero tomar banho, diz que não e pede para pintar. 

"Oh, mamã! Senta! Pinta!"

Estou numa onda de fazer planos, telefonemas, contactos importantes. E simplesmente não o consigo fazer em condições! Hoje, sentei numa poltrona e contei o tempo em que a minha menina ficava calada. Nunca, nunquinha, passou dos 10 segundos. Mas isto é normal? Digam daí, mães experientes...é que ela não para! Sempre a subir e a descer das cadeiras, a passar por baixo delas, a puxar por tudo o que vê pela frente. Já aí, ao fim do post, podem ver o retrato da minha sala. Estava arranjadinha, eu juro! Mas eu, tola que sou, fui cozinhar e deixei a cria à solta. Enfim...

Sempre me disseram que toda Matilde é uma espalha brasas...e esta, é um autêntico exemplo! Verdade seja dita, acredito na força dos nomes que escolhemos...afinal, é a primeira identidade. Matilde quer dizer "guerreira que luta com energia". O que é que eu podia estar à espera? :p

A maioria das pessoas, a incluir na lista o meu marido, não acredita que eu chego ao fim do dia destruída e acabada. Sorry, babies...só saberiam mesmo, se estivessem na minha pele. 

Beijinhos de boa noite, porque vou a correr para a cama. ;)





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terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Teimosia!

Vocês, que acompanham o blog, já sabem que a minha M está naquela fase do "não". Nega tudo! Sim, eu já percebi que ela sabe empregar a palavra quando realmente não quer algo. Mas também já dei conta de que, por vezes, ela entra no "embalo" do "não, não" por tudo, para tudo, e sem nem ouvir o que eu tenho para dizer.

Claro que eu sei que esta é uma fase absolutamente normal. Eu cheguei  à rápida conclusão de que se trata apenas de um momento de crescimento. Ela agora já percebe que pode tomar decisões, que existem opções, que tem vontades e desejos, e que ela própria já consegue ter um papel importante dentro da sua rotina. E para isso, está a exercitar o seu poder. Como conhece o "não", faz uso dele a torto e à direita. 

Estamos agora a treinar o "aceitar". Por exemplo: antes a M só dizia não a tudo, independente do que ouvia, e muitas vezes nem queria negar, mas estava a dar treino às decisões. Agora, ela já abre um sorriso quando uma das opções que lhe dou, agrada. 

Estou a agir diante desta fase, muito por instinto. Mas hoje resolvi ler sobre o assunto, e confesso, fiquei feliz por estar no bom caminho. Mas percebo absolutamente os pais que possam não compreender bem este momento, e trocar os pés pelas mãos na hora de lidar com o "não". E este post existe por isto mesmo. Para elucidar algumas questões, e fazer com que os pais entendam que este fascínio do negar, chega tão de repente como se vai embora, e que pode ser extremamente fácil "tratar" dele.

Vou mostrar aqui, quatro passos a seguir pelos pais. Muito simples, e certeiros.

1 - Ofereça opções:

Chega a noite, e com ela vem a hora de vestir o pijama. Muitas das vezes, a resposta inevitável será o "não". Oferecer opções é uma ótima forma de evitar chatices para os dois lados. Dar duas opções à criança é o suficiente para que ela se sinta integrada nas decisões.

"Queres fazer um jogo com o João, ou queres brincar sozinho?
Queres vestir o pijama branco, ou o amarelo?
Queres arrumar os legos, ou queres guardar os lápis?
Queres ver os Caricas, ou desenhar?
Queres levar a boneca para o banho, ou preferes o baldinho da praia?"

Esta técnica pode ser usada para tudo, evitando grandes aborrecimentos. Use e abuse da estratégia, desde o escolher o que vestir, até ao momento de resolver possíveis briguinhas. 
É importante lembrar que nós, pais, sabemos mais do que os nossos pequenos, e que tudo pode ser transformado em "opções".

2 - Ensine outras respostas:

Como é o caso da minha M, muitas das vezes as crianças insistem no "não" por desconhecerem outras palavras. Sendo assim, é válido ajudar a fortalecer o vocabulário do filhote. E podemos fazer isto através de brincadeiras. 
"Qual é o contrário de não?
O que vem entre o não, e o sim (talvez, pode ser, mais ou menos)?
Qual é o jeito mais simpático de dizer não (não, obrigado)?"

Também podemos criar jogos engraçados, para tornar a arte do negar menos automática...

"O que o cão diz se perguntarmos -queres um osso grandão?"

Quando o seu filho chegar ao "siiim", você pode tentar a pergunta verdadeira, que se quer fazer...

"Hum...o cão quer o osso grande! E tu, queres a sopa e a fruta? Huuum...que booom..."

3 - Use o "não" com moderação:

Em muitos casos, a criança pode estar com alguma fixação pelo "não" por ouvir a palavra diversas vezes. Cabe portanto ao adulto, moderar no uso dela, tornando a situação menos vulgar. É importante tornar o "não" menos frequente, tentando economizar no seu uso. Para tal, podemos usar palavras alternativas, claro que, sempre que possível. Uma forma de o fazer é usar frases específicas para a situação.
"Nunca se bate do gatinho...
Vamos falar mais baixo, por favor...
Tira a mão daí...
Vamos brincar sentadinhos aqui...
Vamos comer iogurte do bebé?"

4 - Seja firme quando necessário:

Por mais "esquematizados" que possamos estar, e preparados para seguir estes passos...vai haver momentos em que, por mais que nos esforcemos, será inevitável combater o "não" com uma ordem. Afinal, é preciso estabelecer limites em diversas situações, como as que envolvem a segurança da criança, por exemplo. Mas não só. O limite é fulcral por diversas razões, pois é importante que o pequeno ou a pequena, entenda que mesmo sabendo ter vontade própria, não podemos exercê-la sempre e em todo lugar, pois isso, entre outras coisas, pode gerar muita confusão.
Assim, não há nenhum problema que o seu filho ou filha perceba que há momentos em que ele não pode fazer escolhas. No caso de ele não entender, vale explicar a hierarquia da questão:

"Porque eu sou a mamã, e o meu trabalho é cuidar de ti. Ponto final."



E é isto, queridos pais. Eu, por cá, vou continuar no treino do sim e do talvez...combatendo o não desenfreado com todas as armas. Espero que estas sugestões possam também ajudar alguém aí deste lado... ;)

E lembrem-se...a educação começa desde pequeninos, em casa, e a responsabilidade maior é dos pais. Formar crianças que entendem limites, e aceitam situações, é criar a possibilidade de um futuro feliz...para elas, principalmente, mas também para nós e para o mundo. ;)

Beijinhos cá de casa!






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segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Look da M: DOT



Olá, meus queridos e queridas...
Como correu o vosso fim de semana?

O nosso, não foi muito famoso...
Mas ainda assim, saímos um pouco de casa.
Bem precisávamos de apanhar um arzinho puro... :)

Como no Sábado fez bom tempo, aproveitamos para ir aos avós.
Na última semana, não tínhamos lá ido,
pois estávamos com aquela virose horrorosa.
Ui! Mas graças aquela bicharada, mandei 2kg para o espaço! YUHUUU! :)

Finalmente, a M. mostrou o seu lado autoritário em frente aos avós A e P.
Pois é...aprontou uma grande, enooorme, birra.
Tudo, porque quando teima de querer estar descalça...ninguém a convence do contrário!
Foi um escândalo tão, mas tão grande...que deixou os avós com cara de aflição.lol.
Eu estou habituada com esta história de
"hora quer as botas, hora não quer nada nos pés",
mas acredito que quem não esteja, possa ficar um bocado chocado. lol.

Foram tantos gritos, tantas lágrimas...a tadinha até soluçava.
Mas não tinha outro jeito. Era preciso pôr as meias para irmos embora.
O frio não perdoa...
Mas mal entramos no carro, a M. adormeceu...e só acordou às 11h do Domingo.
Imaginem vocês, como ela estava cansada...

Bom, e sem mais delongas...
ficam as fotos da minha menina, no seu vestido DOT.
Lembram dele? Era uma das opções para o Natal...
Quando vi este modelo Benny em vermelho, fiquei apaixonada!

Vejam lá se não é um amor... ;)

Beijinhos nossos.







A M. Veste:

Vestido: DOT
Collants: Lanidor
Laço: Knot
Carneiras: Armazém do Calçado


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segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

E lá vem o Simba...ou não!




Então, é assim:
Estava eu a preparar uma banhoca para a M.,
quando escuto uns passinhos no corredor...e uns "Uuuui...uuuiii".

Sim, este é o som de quando se está a fazer força.
Lá estava ela, a carregar o leão Simba, quase do seu tamanho.

Risotas à parte...
"Anda lá, miúda...é horinha de chapinhar na água!"

Lá chega ela à casa de banho,
tiro-lhe a roupinha, a fraldinha e...
Pimba, para dentro da banheira.

(Choro, muito choro!)

"Ião, ião...dá ião"
"Não, meu amor. O leão não pode tomar banho..."

(Continuamos com o choro, e ela a debater-se ali dentro...)

Toca a apressar a banhoca, limpa tudo, corre-corre-e-corre...
Pronto, já está.
Toalhinha a enrolar...
Seca-seca-e-seca.

Toca a vestir o pijama, e o Simba ao lado, já a fazer a alegria da criança.
Eis que de repente, eu escuto a minha menina a crescer...
"Não, ião. Não. Manho não. Ábua não. Não, ião"

Assim, com o dedinho na cara do bicho, e com um ar de muita seriedade.

Oh pá...esta menina é a minha alegria!


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domingo, 13 de janeiro de 2013

Mãe partida...


...é isto. Estou moída. Quebrada mesmo. Hoje, acordei e só me apetecia chorar de dores e de cansaço.

É que desde que começaram a nascer os novos ratinhos na boca da M., as noites passaram a ser curtas. Muito curtas. Interrompidas e cheias de aflição. A princesa tem vindo para a minha cama sempre, e eu tenho que passar a maior parte da noite na mesma posição, e com as duas mãos entregues à ela (sim, ela só sossega quando está com as duas mãozinhas dadas às minhas). E eu deixo, entrego, me auto-destruo, faço tudo para a confortar. É que a minha pequena está mesmo a sofrer com esta novidade. Chora quando escova os dentinhos, quando encosta com a boca em algum lado, quando não quer comer...mas o pior de tudo, é mesmo quando chega perto da hora de dormir. Ontem, eram 2h da madrugada, e ela era só queixinhas.Nem sequer quis o leitinho. Mas eram queixas a sério, nada de birras. E é isto que me mata. :( Não aguentei, e lhe dei um analgésico. Passado um tempo, ela já estava tão contente que só queria correr pela casa. 

Por estes lados, há também uma curiosidade chata e  engraçada. Estamos numa fase maluquinha cá em casa, de não lhe poder calçar os sapatos e nem as meias. Ela simplesmente não aceita e arranca tudo fora. Então, é um inferninho que se causa...porque quer andar descalça, e o frio não está para brincadeiras. 

Na semana passada, chorava porque não queria descalçar as botas brilhantes. Nos dias anteriores, eram as pantufas da Minnie, prenda da avó J., que lhe deixavam o mais feliz possível...ela era só risinhos a andar com aquilo nos pés. Mas, agora, e justamente nos dias mais frios de seeeempre...ela resolveu dar uma de Gabriela, e só diz: "Pato não, mamã. Mêa, não". Sim, eu JURO que ela fala mesmo assim. Oh God...

Mas o resultado desta "cisma" da menina até tem piada. É uma graça e uma risota vê-la contente com os pezinhos no chão...dançando e cantando aos saltinhos...livre, leve e solta. Linda!

Enquanto vos escrevo, está cá na minha sala a maior barulheira. É a M., a querer as botas brilhantes no pé esquerdo, e a pantufa da Minnie no direito. Depois, levanta e não gosta do resultado. Pede para tirar. Eu tiro e é uma grande e ensurdecedora birra. Ai, Jesus...até quando me faz as vontades e quer pôr algo nos pés, é para me deixar tola. Vou a correr lhe preparar um banho, que é para ver se isto aqui acalma...

Hoje à tarde ainda não consegui descansar nadica de nadica. A princesa está com a corda toda, e praticamente não dormiu. Já estou a pensar em como vai ser logo mais à noite, quando formos à casa da avó A., e a criança estiver pooodre de sono, chatinha como tudo. E principalmente quando ao cansaço, se juntar a "crise dos dentinhos".

Bom...vou ter que esperar para ver e enlouquecer mais uma vez. 

ps: Já vos tinha falado na roupinha nova da M., que chegou  no início da semana.
É tão linda, mas tããão linda...que resolvi guardar para um passeio especial.
Passeio este que não aconteceu  por causa do mau tempo, do frio, do cansaço...
Enfim, prometo este Look Ratinho Feliz para muito breve!
Vocês vão babar! ;)


Beijinhos de uma mãe quase desesperada.





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quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Rabugice da M.

A minha M. anda uma rabugenta. Mesmo. 
Anda naquela fase dos "nãos", em que tudo incomoda, é feio ou está fora do lugar.

Hoje, só consegui que aceitasse o almoço às 15h! Só queria sentar-se à mesa numa única cadeira, e lá conseguiu, pois a tia L cansou da birra e saltou para um outro lugar da mesa.

Depois era um tal de empurrar a sopa, cuspir o peixe e gritar com o ovo...
queria o pão, a bolacha e tudo o que não podia ser.

Então, pacientemente, retirei a comilança da mesa e coloquei a pequena rebelde para fora da cadeira. Wow! Foi um Deus me livre, como podem imaginar...mas não voltei atrás na decisão.
Quase que prontamente, ela decidiu deixar de medir forças comigo, e comeu tudo. Tudinho. 
Claro que a ver televisão, porque nem tudo pode ser perfeito.

Fico triste, mas ainda  não perdi completamente a paciência... 
e pelo contrário, até estou mais compreensiva e carinhosa. Politicamente correta.
"Até quando?" é a pergunta que, cá dentro, não quer calar.



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segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Sem o O, e sem o V

Hoje, esta minha menina está demais. Acordou tarde, mais uma vez. Muito tarde. Aí, como está claro, desregulou todos os horários das refeições, e também o sono da tarde...que praticamente não existiu. Então,  tenho agora uma menininha cheia de vida e impertinente, que nem sabe se tem fome ou sono...só sabe o que não quer, e isso sabe bem. Passou a tarde a me presentear com sustos e "nãos", em todos os tons e volumes, possíveis e imagináveis.

Agora há pouco, aprendeu a subir no sofá. É desta que não tenho mais sossego. 

Só quer ver a novela Gabriela, depois de ter tido uma overdose de Pocoyo. Já não posso ouvir a tal da Gal Costa a cantar "Gabrieeela...sempre Gabrieeeeeela...". Duma próxima, sou capaz de arrancar uns cabelos.

E para completar, estou cá, danada da vida, a tentar encrever um post que não leve a letra V. Claramente não consigo, e fico "virada no cão" (ele mesmo, o cão capeta). É que a minha princesa dos olhos de mar, achou que não bastava arrebentar-me com a letra O do teclado...e quis tirar de vez o V da história.

Escrever agora está mais complicado... :p

#Desabafosdeumamãedesesperada.




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sábado, 24 de novembro de 2012

Educação

Uma reflexão sobre quem estamos a criar para o mundo...


Hoje, começamos o dia da mesma forma...com um belo sorriso no primeiro encontro de olhares, um beijinho com abraço, e um "olá, princesa"!
"Vamos trocar a fralda? A tua cinderela nos ajuda!". De Cinderela na mão, soltava risinhos. "Agora, o sapato", e lá estava a M. toda contente, sabendo que viriam aí os primeiros passinhos do dia.
É...estava perto da primeira crise, a matinal. A seguir ao leite, É HORA DE...? Escovar os dentinhos. Uuuiii...já preparo o pequeno-almoço a pensar no grande berreiro que vem a seguir! Sim, ela DETESTA limpar os dentes. Mas, como boa neurótica que sou, não dá para ficar adiando muito...pois já fico a imaginar os bichinhos a lhe estragarem aqueles oito ratinhos que ela tem na boca. E se não tem outro jeito, o negócio é contar com a companhia do choro, o que (crueldade a minha) ajuda, pois ela aaaaaabre bem a boca. :o
O pai, muitas vezes, chega junto...tenta brincar, fazê-la rir...coisa que fiz durante muito tempo, mas que não mudou nada. Então, de forma muito prática, resolvi que esta é uma tarefa que TEMOS que cumprir juntas, e a M. tem de aceitar. O choro vem, e vai embora mal acaba o ritual da escova de dentes. Simples assim. É chato? É. Dá peninha? Dá. Mas não estou a fazer-lhe mal, muito pelo contrário. 
Claro que continuo a tentar fazer com que tudo seja divertido e prazeroso. Mas às vezes, simplesmente não dá. A regra é vir com a escova na mão, um grande sorriso, e a frase :"Ai, que booooom!". Não funciona, mas apego-me à esperança de que em breve, a M. vai compreender melhor. 
Hoje, a vaguear no Facebook, encontrei um post interessante na página do blog As Maravilhas da Maternidade. O link que lá está, nos leva para uma página do jornal Público, e foi um verdadeiro consolo.   

"Porque devem os pais pôr os filhos a chorar?"

“As crianças precisam da tristeza, da tragédia para crescerem.
 Precisam de ter as suas lágrimas.”

Quando me libertei do medo de fazer a M. chorar, aprendi muita coisa. E aconselho. A pior parte destas situações, é quando estão por perto os avós. Avó e avô são um tipo de educador que não suporta ver a criança frustrada. Pensam que se ela não quer ir para a cadeirinha, então não vai. Que se quer colo enquanto estamos a finalizar o jantar, deve ter. Que se não aceita que a mãe vá tomar banho, então a mãe fica podre. Não pode ser. E cá em casa, não é. A minha mãe, a avó J., foge um pouco à regra. Mas nem tanto.
Confesso que no início, custou imenso. Mas eu passei a ver que chorar não mata, e que na maior parte da vezes, as lágrimas eram de crocodilo. Quando a M. era mais bebezinha, só queria estar ao meu colo. Para conseguir tomar banho, era sempre uma luta, porque o pai não suportava tê-la infeliz nos braços. Mas finquei o pé. Hoje em dia, a pequena compreende melhor. Queixa-se, mas logo passa. A mesma coisa acontece quando a tiro da banheira (a M. adooora uma banhoca!). E assim vamos nos educando juntas...saltando as poças.

O psicólogo clínico Gordon Neufeld, do Canadá, esteve em Lisboa, na conferência “Vínculos Fortes, Filhos Felizes”, a falar do assunto. Segue abaixo, um pouquinho do que ele disse, extraído do jornal Público
Em suma, Gordon defende que a ideia de fazer tudo para que os filhos sejam felizes, evitando que chorem, está ultrapassada, e que a teoria de disciplinar sem que a criança chore, está desatualizada. Ele afirma que o bem-estar se atinge através da educação, e que esta deve ser de responsabilidade da família, e não do Estado.
Beijinhos

"O psicólogo diz que, para garantir o bem-estar de qualquer ser humano ou sociedade, é necessário preencher seis necessidades.A primeira é o “aprender a crescer” e para isso há que chorar, é preciso que a criança seja confrontada, que viva conflitos, de maneira a amadurecer, a tornar-se resiliente, a saber viver em sociedade.
A segunda necessidade é a de a criança criar vínculos profundos com os adultos, estabelecer relações fortes. Como é que se faz? “Ganhando o coração dos filhos. É preciso amarmos e eles amarem-nos. Temos de ter o seu coração, mas perdemos essa noção”, lamenta o especialista que conta que, quando lhe entram na consulta pais preocupados com o comportamento violento dos filhos, a primeira pergunta que faz é: “Tem o coração do seu filho?”, uma questão que poucos compreendem, confidencia.E dá um exemplo: Qual é a principal preocupação dos pais quanto à escola? Não é saber qual a formação do professor ou se este é competente. O que os pais querem saber é se a criança gosta do docente e vice-versa. “E esta relação permite prever o sucesso académico da criança”, sublinha Neufeld, reforçando a importância de “estabelecer ligações”. 
E esta ligação deve ser contínua – a terceira necessidade –, de maneira a evitar problemas. Neufeld recorda que o maior medo das crianças é o da separação. Quando estão longe dos pais, as crianças começam a ficar ansiosas e esse sentimento pode crescer com elas, daí a permanente procura de contacto, por exemplo, entre os adolescentes com as mensagens enviadas por telemóvel ou nas redes sociais, muitas vezes, ligando-se a pessoas que nem conhecem, alerta o especialista. 
O canadiano recomenda que os pais estabeleçam pontes com os seus filhos. Quando a hora da separação se aproxima, há que assegurar que o reencontro vai acontecer. Antes de sair da escola, dizer “até logo”; à hora de deitar, prometer “vou sonhar contigo”. Mas a separação não é só física, há palavras que separam como “tu és a minha morte” ou “tu és a minha vergonha”. Mesmo quando há problemas graves para resolver, a frase “não te preocupes, serei sempre teu pai” ajuda a lembrar que a relação entre pai e filho é mais importante do que o problema. Hold on to your kids é o nome do livro que escreveu e onde defende esta teoria.
A quarta necessidade a ter em conta para garantir o bem-estar dos filhos é a necessidade de descansar. Cabe aos adultos providenciar o descanso e este passa por os pais serem pessoas seguras e que assegurem a relação com os filhos.As crianças precisam que os pais assumam a responsabilidade da relação, que mantenham e alimentem a relação, de modo a que elas possam descansar e, nesse período, desenvolver outras competências. Uma criança que está ansiosa pela atenção dos pais não está atenta na escola, por exemplo. 
Brincar é a quinta necessidade a suprir. Não há mamífero que não brinque e é nesse contexto que se desenvolve, aponta Neufeld. E brincar não é estar à frente de uma consola ou de um computador; é “movimentar-se livremente num espaço limitado”, não é algo que se aprenda ou que se ensine. E, neste ponto, Neufeld critica o facto de as crianças irem cada vez mais cedo para a escola, o que não promove o desenvolvimento da brincadeira. “Os ecrãs estão a sufocar a brincadeira e as crianças não têm tempo suficiente para brincarem”, nota o psicólogo clínico que, nas últimas semanas, fez um périplo por vários países europeus, tendo sido ouvido no Parlamento Europeu, em Bruxelas sobre “qualidade na infância”. 
Por fim, a sexta necessidade é a de ter capacidade de sentir as emoções, de ter um “coração sensível”. “Estamos tão focados em questões de comportamento, de aprendizagem, de educação; em definir o que são traumas; que nos esquecemos do que são os sentimentos. As crianças estão a perder os sentimentos quando dizem ‘não quero saber’, ‘isso não me interessa’, estão a perder os seus corações sensíveis”, diz Neufeld.Em resumo, é necessário que os pais criem uma forte relação emocional com os filhos, de maneira a que estes sejam saudáveis. Os pais são os primeiros e são insubstituíveis na educação dos filhos e são eles que devem ser responsáveis pelo seu desenvolvimento integral e felicidade. Se assim for, estarão também a contribuir para o bem-estar da sociedade."
-Texto extraído do jornal  Público



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