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segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Uma carta para ti (II)



Passa pouco da meia-noite. Antes, estaria aqui a escrever um post sobre moda. Muito provavelmente, sobre as roupas que mais me encantam neste "anunciar de Outono". Ou sobre os saldos, não sei. Já não consigo pensar propriamente neste tipo de assunto, que vão -para já- ficando pelo nosso Facebook. 

Antes. Sim, tenho de dividir o tempo entre o antes e o depois do alçar voo da minha menina. Foram quase 27 meses em casa com a minha princesa, o meu amor maior. Mais de 2 anos entregues ao exercício daquilo para o qual fui talhada para ser mesmo, mesmo muito boa. Sem falsas modéstias, porque isto de ter um blog serve exactamente para desaguar a verdade que se sente. E eu sinto assim.

Antes deste tempo de escola, não lembro de adormecer a Matilde antes das 22h. Hoje, com a rotina instalada, às 20h30 reina um silêncio de inverno. Frio, frio, frio. Acabo por sentir saudades da minha grande, a melhor, companheira. Me apanho a dormir num colchão colocado no seu quarto, sem grandes necessidades, mas apenas para matar um bocadinho de saudade da sua presença. O corte,também  para mim, tem sido complicado...doloroso. Saber e sentir que passa mais horas acordada na escola, e não debaixo das minhas asas...dói. Fisicamente mesmo, como disse hoje à querida Tia Cocas, que começa a ensaiar o mesmo bailado. 

Quando engravidei, estava a trabalhar. Quando a Matilde nasceu, tinha acabado de encerrar um contrato, e achamos por bem que eu estivesse com ela por um ano. Um ano que se prolongou...e que me permitiu ser o mais feliz que me lembro. Agora, vejo a minha cria iniciar um bater de asas, e estremeço as minhas para voarmos ao mesmo tempo. 

Ser mãe é a mais bela das tarefas humanas, e que me perdoem os pais. Mãe é um ser capaz de se tornar gigante. Capaz de abrigar o mundo, cegar a dor, e fortalecer a vida. Pai também é, um dia, mais tarde. Mas à parte das discussões de sexo... Sinto-me infinitamente maior, juro, por ser mãe da Matilde. Não imagino uma existência que não fosse a de ser maternalmente responsável. A maternidade define muito de quem eu sou, e pouco consigo lembrar da vida independente de não-mãe.  Sou tão infinitamente mãe...que não consegui descansar um único minuto antes de sentir a minha cria verdadeiramente tranquila neste princípio de "vida académica".

A semana passada foi para esquecer. Mas eu eu não esqueço. Vocês, que passaram pelo mesmo, também não...eu sei. Tantas foram as mensagens que eu recebi. Tantas! De mães a aconselhar, a acalmar, a desabafar...mães que, como eu e como mil, sofrem aquela dor aguda de separar-se de um filho. Como se explica isto a quem não sabe o que é? Sim, porque alguns podem pensar que isto é uma autêntica dramaturgia. Mas não.

Confesso ser uma mãe galinha e um tanto controladora. Como a minha mãe costuma dizer, "é preciso trabalhar esta questão". Durante a primeira semana de infantário da Matilde, ouvi o seu choro e a sua agonia. Telefonei e bati à porta tantas vezes quanto o bom senso permitiu. Não saí de casa, na inconsciente ideia de estar mais perto da cria, já que a escolinha fica mesmo à distância de um elevador. Sofri e chorei com o som das suas lágrimas, mas não me consegui afastar das janelas. Não se enganem. Fui forte. Forte como era preciso. Cumpri a minha tarefa de resistir à dor e à separação. Sobretudo, de resistir às dúvidas. Sou daquelas pessoas que só desistem do que não interessa, e quando o contrário acontece, entrego o coração e a alma ao aprendizado e à luta. E assim o fiz, com todas as emoções a fervilhar 24h por dia. Sim, é pleonasmo.

Sofri a dor sofrida, que é como quem se repete, até descobrir o flutuar prazeroso da confiança. Descobri que fui capaz de escolher o melhor dos infantários para a Matilde. Descobri que não há ali dentro, uma única pessoa a quem eu possa torcer o nariz. Descobri que há gente disposta a ser grande e a ser inteiro, e que não deixa uma mãe afligir-se sem uma palavra de amizade. Palavra esta que é repetida diariamente, como num mantra de paciência. E mais uma vez me repito, sim.

Descobri que há gente capaz de falar com voz de veludo, mesmo após 8 dias de tortura chorosa. Descobri que há gente que batalha pelo mesmo que eu, e que qualquer pai que entrega um filho. Descobri que de longe, há gente capaz de entrar pelas minhas janelas e abraçar o meu coração, enquanto oferece "colinho" à minha cria. Vi o quão belo é ver a Matilde voar num escorrega e navegar numa piscina de bolas. Correr entre crianças, enquanto ensaia as primeiras trocas de palavras. Enquanto eu recebo um telefonema a pedir para ir à janela contemplar o iniciar da tão esperada socialização da minha filha. Um passo que nunca na vida me vou esquecer.

Agora, dorme serena a minha criança. Tem os olhos rasgados num sono profundo, um traço tão particular, herdado do pai. Aquela expressão horizontal, de pestanas infinitas. Fala a dormir com a mais bela voz que ouvi. Grave e aguda, quase rouca enquanto repousa. Há pouco, sentiu que eu entrava no quarto e pediu o "leitinho", mesmo a dormir o seu sono profundo de criança crescida. Bebeu tudo, enquanto me fazia miminhos com as mãos quentes e suaves, absolutamente macias como o pêlo. E eu, ainda de perto, senti saudades pelo amanhã. Senti, e sinto, mesmo tantas saudades...dos dias em que as manhãs eram eternas, num enrolar de abracinhos e sonhos. De soninhos pequeninos e entrelaçados, enquanto eu tinha cuidado e fazia silêncio ao sair da sua beira para ir tratar da vida real. Enquanto esta vida real era bela pelo seu dormir aconchegado entre lençóis e mantas, minuciosamente envolvidos por mim.

Agora repousa no seu descansar de menina que vai para a escola, e que aos poucos ganha forças para existir sem mim. Eu, mesmo que contra-natura, aceito e reforço o seu vencer. Quero que "seja" para além de mim. Quero que guarde para sempre o que eu lhe ofereço, mas que seja capaz de encontrar a Matilde que é, num mundo onde eu não esteja. No seu mundo. Num mundo onde eu não estou para aconchegar, mas que eu preparei para ela. Macio, limpo, sereno. Como as mantas em que lhe embrulhei há pouco.

"Minha filha Mais-Que-Amada, este texto é para ti. Só para ti. Para que leias e saibas, mesmo que tenhas esquecido, que este momento de deixar-te planar voo me doeu, me custou...mas que valeu. Porque já me mostras que fiz a opção certa, e que fui exacta ao perceber o que precisavas. Espero ser sempre assim para ti. Espero ter todas as tuas respostas, e receio que não. Mas vou ter sempre guardado e pronto a oferecer, o calor que sentiste quando deitaste à minha beira nos teus primeiros anos de vida.

Te amo para além do infinito.

Mamã Lua."















Etiquetas para a escola



Mamãs, papás, avós, ou quem quer que nos leia e queira indicar...

Já pensaram em como vão marcar as roupas, batas e objectos pessoais dos vossos minúsculos? Sim, porque eu, como marinheira de primeira viagem nessas andanças escolares, descobri no regulamento escolar que tudo deve ser devidamente identificado com o nome da criança. No caso da Matilde, levamos uma mochila que fica lá durante toda a semana, com 5 mudas de roupa e tudo o que for de uso pessoal. Então, como a roupa vai ficar lá, e não é difícil que se faça confusão, decidi ir à procura de uma solução gira, organizada e durável. 

Ora bem, como não poderia deixar de ser, vou partilhar com vocês a minha escolha. Etiquetas fofas.

(Podem encomendar AQUI ou AQUI)



- Etiquetas à prova d'água, ideais para os objectos pessoais (escova e pasta dos dentes, escova de cabelo, toalhitas, e até medicamentos). São resistentes às lavagens e às mãos transpiradas. Há em tamanho mini, para marcar lápis, tesouras, colher, ou o que quiserem! -



 - Etiquetas termoaderentes, ideais para a roupa. Fácil de aplicar e fica uma fofura! -

Há ainda as etiquetas para marcar sapatos e meias, em forma de pezinhos. :)

O processo de compra é super rápido e seguro. As etiquetas chegam em 48h. Podem escolher o tamanho, o tipo de letra, a cor e o desenho. A minha menina é fanática por princesas, por isso escolhi a coroa e ela amou!  :)

Um beijinho grande! 



quarta-feira, 4 de setembro de 2013

A Matilde, a escola, e eu.

É...isto não está a ser fácil. Nunca pensei que seria simples...mas confesso que não imaginava o quanto ia custar. A mim. À ela.

Resolvi matricular a Matilde na escolinha depois de muito ponderar, de ouvir diversas pessoas da área da educação infantil, e sobretudo, depois de chegar à conclusão de que esta era a necessidade da minha filha. Cortar esse cordão umbilical que ainda nos liga com tanta força, dar a conhecer novos obstáculos, novos desafios, novas pessoas. Dar mundo à minha cria. 

Neste Verão, a Matilde começou a sentir-se mais confiante em estar com outros adultos. Com os tios e tias, com os amigos da família. Fala deles em casa, pergunta por cada um. Logo ela, que era uma bebé que estranhava tudo e todos, e até bem tarde. Quem a conhece, sabe bem. Por ter estado quase 27 meses em casa comigo, sempre-sempre-sempre comigo, não era de estranhar que tivesse o cuidado de conhecer bem a pessoa com quem ia lidar. Não está a ser este o problema do infantário, de todo. A Matilde não estranha a educadora, a auxiliar, ou quem quer que seja. Pelo contrário, é à elas que se apega, pede colinho todo o dia. Elas têm sido o seu porto de abrigo nesta difícil etapa de estar sem a mãe.

A Matilde está a sofrer. Pura e simplesmente, a sofrer. Sente a falta das minha mãos, do meu cheiro, da minha voz. Sente falta da boa vida que tinha em casa, da comidinha sempre feita à sua medida, do iogurte no lanche de todos os dias. Sente falta de estar na mimalhice comigo, de acordar quando lhe apetece, de adormecer para a sesta junto ao meu calor.

Ela está a sofrer, e eu sofro tanto ou mais. À distância, quietinha, preocupada, atenta a tudo. Sinto que estou ligada à tomada 24h por dia. Nem preciso dizer que estou exausta. O adormecer à noite tem sido complicado, e o descanso é pouco. Durante o dia, estou sempre a pensar como estará a correr, como será o dia de amanhã, até quando vou aguentar...sim, porque já estive mais longe de entregar os pontos, de fraquejar, de falhar. De forma consciente, sou razoável. Entendo que é preciso insistir, que é normal, que será pior se deixarmos para o futuro. Entendo e me recolho para juntar as forças que preciso. Eu sei o quanto tem sido difícil lutar contra esta culpa que sinto de forma inconsciente. Eu sei o quanto me custa deixar entrar pelas janelas o seu choro sofrido, vindo da escola, que fica mesmo aqui ao lado. Eu choro, sento, levanto, e volto a sentar. Limpo as lágrimas de mãe e vou tentar tratar das minhas coisas. Tentar pôr a vida em dia. Não consigo, e volto a chorar, sentar e levantar. Tonta pela casa. Que grande, enorme, tortura.

Sei que o choro dela é normal, é esperado, mas a verdade é que os outros meninos não têm tido tanta dificuldade. Isso me preocupa sim, mas o que mais custa é saber que tem rejeitado a comida. Qualquer que seja. Sopa, fruta, leite...tudo.Ontem, também não quis jantar em casa. Adormeceu com um bocado de leite e só. Hoje, voltou a recusar a comida na escola, e isto eu disse directamente que não aceitava. Disse que queria ser chamada neste caso, para que em conjunto, pudéssemos arranjar uma solução. Em último caso, eu iria até lá. Não achamos que é o ideal, que me veja lá. Achamos que vai atrasar a adaptação. Porém, não podemos, de todo, deixar que não se alimente. Assim, à hora do almoço telefonaram e eu sugeri levar um boião de sopa da Nestlé e fruta em copo de vidro. É a comida de "passeio" da Matilde, e ela sabe que é de vez em quando...ou seja, é de aproveitar. Era a minha última tentativa por hoje, depois de tantas lágrimas, de tanto pensar, de tantos telefonemas. Era isto, ou lá ir dar a comida, e provavelmente, trazê-la para casa. Mal viu a "comida", associou à mãe e voltou a chorar. A escola pediu que eu lhes desse um tempo para tentar, o que eu achei justíssimo. Ao fim de uns minutos, esta mãe ansiosa recebeu um telefonema que soube a um forte abraço. Ela havia comido tudo. Chorei...de alívio! Como se me tivessem tirado um peso enorme de cima. Falei com a minha menina ao telefone e descansei. Ela estava pronta para a sesta, e alimentada, eu sabia que iria descansar bem.

Como o combinado, por volta das 14h30 telefonaram e eu fui buscar a minha princesa. Dormiu bem, mas já começava a choramingar, e achamos todos que por hoje bastava. E bastou. Nem preciso dizer que fui a correr. A Matilde foi me receber à porta, choramingou nos meus braços, como quem fazia queixinhas da minha ausência...e me chamou para entrar. Sim, toda contente, quis que eu fosse à sua sala. Brincamos juntas, fomos ao escorrega, e com alguma insistência, tomou um copo de sumo e comeu um pedaço de bolo. Chorou para ir embora, o que mostra que gosta de lá estar...e que o problema é mesmo este "corte" entre nós. Está dividida entre a rotina de estar comigo, e o querer lá estar. Que grande confusão vai naquela cabecinha...

Em casa, está a mesma Matilde de sempre...o que também quer dizer que não há problemas para além do esperado. Está feliz, brincalhona e esperta.

Não vejo a hora de passar por tudo isto...e sentir que valeu à pena. De a ver com os amigos, de a ver crescida, de a ver com umas bonitas asas. Conto os minutos, literalmente, para esta luta abrandar, para o meu coração acalmar. Uma coisa está decidida: Não vai lá ficar por muitas horas seguidas. A seguir à sesta, lá vou estar para dar o meu abraço e o meu sorriso. Até que tudo não passe de um pontinho no horizonte. Até que ela queira lá estar com os outros miúdos. Até que o seu voo seja mais seguro. Até lá, ninguém lhe tira a Barbie das mãos, o peluche do sono, e a chupeta...que voltou a reinar com mais força do que nunca. Como as educadoras dizem..."uma coisa de cada vez".

Ai...tinha tantas coisas ainda para falar...mas nunca mais saía daqui! :p Vamos continuar neste contacto...porque vocês têm sido o meu motor para continuar com força. Sem o vosso apoio, sem o vosso testemunho, sem a vossa amizade...o meu coração teria murchado nestes dias. OBRIGADA! :)

Como eu disse no Facebook..."tenho descoberto que mãe é um bicho muito amigo"! :)

Muitos beijos, e um abraço apertado.