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terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Crise de identidade...já?


E pronto...estamos com uma crise de identidade em casa. Já começou há uns tempos, e agora ganhou força. "Mamã, eu sou da cor do chocolate!", soltou ela de riso na cara.  É, Matildinha-Matrioska... #sóquenão. :p

Ainda estou a tentar perceber onde tudo começou, mas a verdade é que a criança tem a certezinha de ter um pézinho em África. E no fundo, até tem mesmo...afinal, tem sangue brasileiro a correr nas veias. Bem, mas a cor é que lhe está a faltar...

A primeira boneca foi uma bebé negra de vestido florido e cabelo crespo preso em dois totós. Foi amor à primeira vista. Até hoje, seguem companheiras. Mais tarde, iniciou a loucura das Barbies, mas nenhuma delas lhe encheu as medidas como a princesa Tiana, da Disney. A Jasmin é outra favorita lá em casa. Dos livros, tem fascínio pelo "Menina bonita do laço de fita", que conta a história de um coelho branco encantado por uma negrinha de lábios vermelhos, e que faz de tudo para escurecer o pelo...desde tomar dúzias de café, a mergulhar numa lata de tinta, culminando na descoberta de que  preto nunca poderia ser. É quando decide que filhos assim é que quer ter, e casa-se com uma coelhinha da cor da noite. Ele passa o livro a perguntar: "menina bonita do laço de fita, como fazes para ter a pele tããão pretinha assim?". Bem, a Matilde anda a querer descobrir. Curiosa, pergunta  porque eu sou branca e ela não (como assimmmm, menina?). Se não fosse o seu ar de faz-de-conta, eu ficaria preocupada. :p

Isto, inevitavelmente, me fez questionar uma série de coisas. Primeira: há produção de material suficiente para mudar as ditaduras de padrão às quais somos bombardeados? Ou apesar de tudo, ainda vivemos num mundo em que se fala com distância das possibilidades que vão para além do padrão imposto? Segunda: Onde começa o preconceito? E terceira: Como inverter a situação e criar outros contextos?
O preconceito começa no berço. Começa nos pais, nos avós, na escola. Começa quando não se oferece o mundo e as suas multifacetas. Quando rejeitamos o diferente, e impomos apenas o que é conhecido por nós. Quando não percebemos aquilo que nos falta, aquilo que podemos desvendar e mostrar. Quando não mudamos. Começa quando dizemos o que é bonito, quando decidimos nós pelo outro. Quando só apresentamos uma boneca de mini saia e saltos altos. Quando dizemos que ela é linda, à uma criança gordinha, de sardas e  caracóis nos cabelos. Ou à magricela que é ruiva, ou à pretinha de rabiosque empinado. Quando lhes apontamos a nossa visão de mundo...é quando apontamos o caminho que os nossos pequenos vão seguir. E por isso, custa crer em quem não quer ampliar e transformar os seus espaços conhecidos e tidos como absolutos. Custa saber que ainda não vamos longe, e que vivemos ciclicamente a repetir o que nos foi dito como verdade, sem questionar e criar mais espaços por onde fazer correr as nossas crianças.

Cresci entre nenucos loirinhos, e outras infinidades do género. Cresci num mundo onde a Disney não tinha a Doutora Brinquedos, e nem os cabelos castanhos da princesa Sofia. Não lembro de muitas  bonecas que não fossem loiras-loiríssimas. Era mais fácil ver uma com cabelos azuis, do que uma pretinha. Ora bem, mas cresci rodeada de livros e músicas, e eram eles que me falavam do mundo. Que faziam chegar imagens diferentes à minha cabeça. Múltiplas! Infindáveis! Sem que saíssem apenas de uma fôrma pré-fabricada. Cresci com pais que me faziam chegar estas ferramentas, e que tinham os preconceitos engavetados, sem nunca os deixar sair (quem não os tem?). Nunca os passaram para mim. Louvados sejam! São espertos os meus pais...já na altura, mediam as palavras para não me moldarem as ideias. Para que eu criasse o meu mundo da forma mais rica e verdadeira possível. E tão grata estou. Educar é também isto: saber mudar o que em nós está mal, e saber passar o que vai para além daquilo que nos foi dado. Preconceito não é herança, minha gente. Não se passa a ninguém, não se deixa como presente. Horizontes sim. Largos...a perder de vista.

Ora, ora, ora...tudo isto para dizer que estou contente. Estou contente por perceber que estou a criar gente. G-E-N-T-E. Estou a pôr fermento na Matilde para que ela enfrente o mundo, para que veja toda a sua beleza. Para que não o sinta como um reflexo seu, mas sim para que possa refletir o que mais gosta dele. Para que tire todo o sumo possível desta aventura que é viver. E que em cada cantinho dele, ela não olhe de lado à nada.  Para que eduque os músculos da testa para não franzirem diante do novo. Para que transpire a vontade de abraçar a tudo e a todos, e para que se sinta parte do que a rodeia. 

A construção da identidade se inicia desde muito cedo, e passa pela compreensão dos factos do dia a dia, pelo reconhecimento de características locais e familiares, pela comparação e pelas referências. Por isso, enriqueça o universo do seu filho. 

(Dito isto, agora vou falar sobre o meu último questionamento, e aquele que mais surpresa me causou:

"Por que raios ainda vivo num mundo onde falar em diferença faz lembrar o preconceito???")





E agora vou ali arranjar maneira de pôr a menina pretinha... :p

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segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Uma carta para ti (II)



Passa pouco da meia-noite. Antes, estaria aqui a escrever um post sobre moda. Muito provavelmente, sobre as roupas que mais me encantam neste "anunciar de Outono". Ou sobre os saldos, não sei. Já não consigo pensar propriamente neste tipo de assunto, que vão -para já- ficando pelo nosso Facebook. 

Antes. Sim, tenho de dividir o tempo entre o antes e o depois do alçar voo da minha menina. Foram quase 27 meses em casa com a minha princesa, o meu amor maior. Mais de 2 anos entregues ao exercício daquilo para o qual fui talhada para ser mesmo, mesmo muito boa. Sem falsas modéstias, porque isto de ter um blog serve exactamente para desaguar a verdade que se sente. E eu sinto assim.

Antes deste tempo de escola, não lembro de adormecer a Matilde antes das 22h. Hoje, com a rotina instalada, às 20h30 reina um silêncio de inverno. Frio, frio, frio. Acabo por sentir saudades da minha grande, a melhor, companheira. Me apanho a dormir num colchão colocado no seu quarto, sem grandes necessidades, mas apenas para matar um bocadinho de saudade da sua presença. O corte,também  para mim, tem sido complicado...doloroso. Saber e sentir que passa mais horas acordada na escola, e não debaixo das minhas asas...dói. Fisicamente mesmo, como disse hoje à querida Tia Cocas, que começa a ensaiar o mesmo bailado. 

Quando engravidei, estava a trabalhar. Quando a Matilde nasceu, tinha acabado de encerrar um contrato, e achamos por bem que eu estivesse com ela por um ano. Um ano que se prolongou...e que me permitiu ser o mais feliz que me lembro. Agora, vejo a minha cria iniciar um bater de asas, e estremeço as minhas para voarmos ao mesmo tempo. 

Ser mãe é a mais bela das tarefas humanas, e que me perdoem os pais. Mãe é um ser capaz de se tornar gigante. Capaz de abrigar o mundo, cegar a dor, e fortalecer a vida. Pai também é, um dia, mais tarde. Mas à parte das discussões de sexo... Sinto-me infinitamente maior, juro, por ser mãe da Matilde. Não imagino uma existência que não fosse a de ser maternalmente responsável. A maternidade define muito de quem eu sou, e pouco consigo lembrar da vida independente de não-mãe.  Sou tão infinitamente mãe...que não consegui descansar um único minuto antes de sentir a minha cria verdadeiramente tranquila neste princípio de "vida académica".

A semana passada foi para esquecer. Mas eu eu não esqueço. Vocês, que passaram pelo mesmo, também não...eu sei. Tantas foram as mensagens que eu recebi. Tantas! De mães a aconselhar, a acalmar, a desabafar...mães que, como eu e como mil, sofrem aquela dor aguda de separar-se de um filho. Como se explica isto a quem não sabe o que é? Sim, porque alguns podem pensar que isto é uma autêntica dramaturgia. Mas não.

Confesso ser uma mãe galinha e um tanto controladora. Como a minha mãe costuma dizer, "é preciso trabalhar esta questão". Durante a primeira semana de infantário da Matilde, ouvi o seu choro e a sua agonia. Telefonei e bati à porta tantas vezes quanto o bom senso permitiu. Não saí de casa, na inconsciente ideia de estar mais perto da cria, já que a escolinha fica mesmo à distância de um elevador. Sofri e chorei com o som das suas lágrimas, mas não me consegui afastar das janelas. Não se enganem. Fui forte. Forte como era preciso. Cumpri a minha tarefa de resistir à dor e à separação. Sobretudo, de resistir às dúvidas. Sou daquelas pessoas que só desistem do que não interessa, e quando o contrário acontece, entrego o coração e a alma ao aprendizado e à luta. E assim o fiz, com todas as emoções a fervilhar 24h por dia. Sim, é pleonasmo.

Sofri a dor sofrida, que é como quem se repete, até descobrir o flutuar prazeroso da confiança. Descobri que fui capaz de escolher o melhor dos infantários para a Matilde. Descobri que não há ali dentro, uma única pessoa a quem eu possa torcer o nariz. Descobri que há gente disposta a ser grande e a ser inteiro, e que não deixa uma mãe afligir-se sem uma palavra de amizade. Palavra esta que é repetida diariamente, como num mantra de paciência. E mais uma vez me repito, sim.

Descobri que há gente capaz de falar com voz de veludo, mesmo após 8 dias de tortura chorosa. Descobri que há gente que batalha pelo mesmo que eu, e que qualquer pai que entrega um filho. Descobri que de longe, há gente capaz de entrar pelas minhas janelas e abraçar o meu coração, enquanto oferece "colinho" à minha cria. Vi o quão belo é ver a Matilde voar num escorrega e navegar numa piscina de bolas. Correr entre crianças, enquanto ensaia as primeiras trocas de palavras. Enquanto eu recebo um telefonema a pedir para ir à janela contemplar o iniciar da tão esperada socialização da minha filha. Um passo que nunca na vida me vou esquecer.

Agora, dorme serena a minha criança. Tem os olhos rasgados num sono profundo, um traço tão particular, herdado do pai. Aquela expressão horizontal, de pestanas infinitas. Fala a dormir com a mais bela voz que ouvi. Grave e aguda, quase rouca enquanto repousa. Há pouco, sentiu que eu entrava no quarto e pediu o "leitinho", mesmo a dormir o seu sono profundo de criança crescida. Bebeu tudo, enquanto me fazia miminhos com as mãos quentes e suaves, absolutamente macias como o pêlo. E eu, ainda de perto, senti saudades pelo amanhã. Senti, e sinto, mesmo tantas saudades...dos dias em que as manhãs eram eternas, num enrolar de abracinhos e sonhos. De soninhos pequeninos e entrelaçados, enquanto eu tinha cuidado e fazia silêncio ao sair da sua beira para ir tratar da vida real. Enquanto esta vida real era bela pelo seu dormir aconchegado entre lençóis e mantas, minuciosamente envolvidos por mim.

Agora repousa no seu descansar de menina que vai para a escola, e que aos poucos ganha forças para existir sem mim. Eu, mesmo que contra-natura, aceito e reforço o seu vencer. Quero que "seja" para além de mim. Quero que guarde para sempre o que eu lhe ofereço, mas que seja capaz de encontrar a Matilde que é, num mundo onde eu não esteja. No seu mundo. Num mundo onde eu não estou para aconchegar, mas que eu preparei para ela. Macio, limpo, sereno. Como as mantas em que lhe embrulhei há pouco.

"Minha filha Mais-Que-Amada, este texto é para ti. Só para ti. Para que leias e saibas, mesmo que tenhas esquecido, que este momento de deixar-te planar voo me doeu, me custou...mas que valeu. Porque já me mostras que fiz a opção certa, e que fui exacta ao perceber o que precisavas. Espero ser sempre assim para ti. Espero ter todas as tuas respostas, e receio que não. Mas vou ter sempre guardado e pronto a oferecer, o calor que sentiste quando deitaste à minha beira nos teus primeiros anos de vida.

Te amo para além do infinito.

Mamã Lua."















quarta-feira, 17 de julho de 2013

Birras: quem aguenta?

Já ouviram falar da "adolescência da infância"? Trata-se daquela altura em que a criança começa a ter noção do "eu", a perceber que é um indivíduo, e que portanto, tem vontades e desejos, e pode ter o poder de decidir por si. Ela começa a lutar pelo seu espaço, gritando, batendo nos outros e armando fenomenais birras. Pode acontecer, mas não é uma regra, entre os 18 meses e os 3 anos.

Eu nunca tinha escutado falar nisto, mas tendo em vista que tenho uma miúda com 2 anos, e que os comportamentos começaram a fugir ao habitual, andei a pesquisar. Sim, sou destas que vão à procura de tudo e mais alguma coisa, e que querem entender ao pormenor cada fase dos miúdos. Sou assim com tudo, não tivesse eu estudado jornalismo... :p

Os 2 aninhos são difíceis, e ninguém, de todo, me avisou. Não estava preparada, e nem sequer entendi bem o que se estava a passar...até que determinados comportamentos passaram a fazer parte do dia à dia...e fui ler, ler, ler...

Pois bem. Eu não estava louca, e a minha miúda não está a passar por nada anormal. Vou explicar do início, para que entendam do que falo, e ao mesmo tempo, vou dar dicas de como os pais devem agir nesta altura.

Há dias, a Matilde começou a chorar por tudo e por mais alguma coisa.  Quando não pode fazer algo, chora. Quando não quer algo, chora. Quando o pai vai trabalhar e ela quer ir à rua também, chora. Quando tomo banho, e ela também quer tomar (embora já tenha tomado 2 ou 3), chora. Mas se a meto no chuveiro comigo, chora, porque afinal queria estar lá fora. 

Quando estou a comer e ela quer (sempre) que eu faça outra coisa qualquer, chora. Quando entra no carro, chora. Quando, sai, chora. Quando volta a entrar, chora. Quando é interrompida em qualquer actividade, chora. Quando vai embora de qualquer lugar, chora. Quando vai para a cama, chora (apesar de estar morta de sono e adormecer passados 10 minutos). 

Estou convencida de algo que eu já sabia desde os seus primeiros meses: eu nasci para ser mãe. Entendo cada uma das suas birras, e respeito. Não perco a paciência, não grito, não falo mal. Dou colo quando acho que devo dar (ou quando realmente preciso de alguma paz). Tento distrair quando está mesmo irritada, e me baixo ao seu nível para explicar o que está mal, ou ensinar como algo deve ser.

Não sou santa. Muitas vezes fico enlouquecida, claro. Mas é, puramente, uma questão de auto controlo. Respiro fundo, e por instinto, só quero tratá-la bem. Nunca perco a cabeça e a trato de forma agressiva! Explico, falo com calma...e por vezes, ignoro. Acho que muitas vezes, ignorar é o essencial. É preciso fazer de conta que não se ouve nada. Sem público, não há espectáculo. Certo?! O meu marido não consegue. Está pouco em casa, e por isso, é difícil lidar com tantas birras, principalmente quando são nas horas de refeição e sono.

Ele diz que já não pode ouvir a menina sempre a chorar e gritar. E é mesmo. Ele tem razão. É enlouquecedor. Bem...é para isso que existem as mães...certo? com a sua capacidade ímpar de compreender e aconchegar...e de ralhar da forma certa. Nem mais, e nem menos. São coisas que só as mulheres são capazes, e eu tenho a certeza disto. Que me desculpem os homens leitores deste blog...

E não levem a mal. O João é um pai exemplo. Um querido, cuidadoso, e que proporciona as mais deliciosas brincadeiras. Com ele, a diversão está garantida. Mas quando o sapato aperta, é aqui a mamã que tem melhor jeitinho para a coisa. Com vocês acontece o mesmo?

Por isto tudo que escrevi, vou partilhar com vocês o que é a chamada "adolescência da infância", e as sugestões de como ultrapassar esta fase sem grandes dramas. É uma situação comum, e talvez este post possa ajudar alguém na mesma situação. ;)




1. O que é a chamada “adolescência do bebê”?

A adolescência do bebê, primeira adolescência ou os “terrible twos” – terríveis dois anos, em inglês –, como citado na literatura, é a fase em que a criança passa a se comportar de modo opositivo às solicitações dos pais. De repente, a criança que outrora era tida como obediente e tranquila passa a berrar e espernear diante de qualquer contrariedade. Bate, debate-se, atira o que estiver à mão e choraminga cada vez que solicita algo. Diz não para tudo, resiste em seguir qualquer orientação, a aceitar com tranquilidade as decisões dos pais, para trocar uma roupa, sair de um local ou guardar um brinquedo. Para completar, não atende aos pedidos e parece ser sempre do contra.

2. Esse comportamento é comum em qual idade?

Normalmente, acontece a partir de 1 ano e meio até os 3 anos de idade.

3. Existe alguma causa?

A causa para esse período é simplesmente o próprio desenvolvimento natural da criança. A fase dos 2 anos de idade é um período de grandes mudanças para ela. Até então, o pequeno seguia os modelos e as decisões dos pais. Gradualmente, ele passa a se perceber como indivíduo, com desejos e opiniões próprias, e isso gera uma enorme necessidade de tomar decisões e fazer escolhas por si. Sem dúvida, isso acaba gerando uma grande resistência em seguir os pedidos dos pais. Não é exatamente uma ação consciente da criança, mas uma tentativa de atender a esse desejo interior, a essa descoberta de si como um ser independente dos pais. No entanto, ao mesmo tempo em que ela quer tomar suas decisões, ainda tem muitas dificuldades para fazê-lo, dado que ainda não tem maturidade suficiente. Ela discorda até dela mesma! Se você pergunta o que ela quer comer, naturalmente ela responderá: “Macarrão”. Mas, quando você chega com o prato de comida, ela diz: “Eu não quero isso!” Suponha que você está com pressa para ir a algum lugar. Seu filho está de ótimo humor até você dizer: “Preciso que você entre no carro agora”. Ele fará tudo, menos atender à sua solicitação. É uma fase difícil para os pais e também para as crianças. É uma experiência intensa emocionalmente e repleta de conflitos, pois, ao mesmo tempo em que a criança busca essa identidade, ela não quer desagradar seus pais – por mais que isso não pareça possível.

4. Existe alguma maneira de evitar que o bebê passe por isso?

Não há a necessidade de tentar evitar esse período e nem há como fazê-lo. O importante é conhecer e lidar de modo construtivo com essa fase dos pequenos.

5. Todas as crianças passam por isso?

Não é uma regra. Algumas crianças demonstram essas características mais intensamente do que outras.

6. Como agir quando a criança se joga no chão e grita em um lugar público, como o supermercado e o shopping?

Primeiramente, descarte palmadas, tapas, puxões de orelha ou qualquer outro comportamento agressivo para tentar conter uma birra. Antes de sair, converse com o seu filho e o contextualize sobre o passeio. Se for supermercado, por exemplo, diga como espera que ele aja, o que ele poderá pegar para si etc. Se forem a um restaurante, faça o mesmo, explique aonde vão, como espera que a criança se comporte e as consequências para o seu mau comportamento. Jamais ceda às manipulações, como choros, pedidos de ajuda e reclamação de possíveis desconfortos. Avise-o de que só vai conversar depois que ele se acalmar. Opte por disciplinar a criança após a birra, que é o momento em que ela está colocando para fora sua frustração e seu descontentamento. Após ela parar de fazer a birra, você se abaixa para conversar. É sempre muito importante que a criança compreenda o que fez e o porquê de sua ação. Evite dar broncas e repreender seu filho na frente de outras pessoas para que ele não se sinta constrangido e você também. Uma dica bacana para mudar o foco da birra é chamar a atenção da criança para outra situação. Mostre um objeto ou comece a falar de outro assunto. Ignorar a birra costuma dar ótimos resultados. Em lugares públicos, se a birra persistir e você estiver se sentindo constrangida, tire o seu filho do ambiente sem demonstrar irritação e sem conversar. Sua atitude mostrará desaprovação.

7. O que fazer quando o pequeno bate nas pessoas quando é contrariado?

Esse “bater” normalmente é a expressão do seu descontentamento, o que, no caso, não é aceitável. É importante ressaltar que as crianças, assim como nós, adultos, também ficam bravas, tristes, frustradas e chateadas – isso é natural do ser humano. Ao longo da vida, ela vai se deparar com diversas situações que despertarão esses sentimentos nelas e a infância é a melhor fase para aprender a lidar com esses sentimentos inevitáveis. Assim, se quiserem contribuir de modo positivo com o desenvolvimento emocional e psicológico dos pequenos, os pais devem parar de tentar poupá-los de situações frustrantes e passar a explicar esses sentimentos, apontando caminhos para que consigam lidar com eles. A criança não nasce sabendo a lidar com seus sentimentos, ela testa suas ações e vai construindo seus modos de agir.

Quando ela bate em alguém, imediatamente deve ser contida e, em seguida, os pais devem abaixar-se na altura da criança, olhar fixo em seus olhos e com voz firme conversar que entendem que o pequeno esteja bravo, mas que sua atitude é inaceitável. Explique que, se aquilo voltar a acontecer, haverá consequências negativas para ela, citando quais serão. Lembre-se de que essas consequências deverão ser algo possível de ser feito porque, se a criança repetir o comportamento desaprovado, você deverá cumprir o que falou.

8. E quando a criança bate com a cabeça na parede ou faz coisas para se machucar porque ouviu um “não”?

Em geral, as crianças recorrem a esse tipo de autoagressão como mais uma tentativa de conseguir a atenção dos adultos e, quase sempre, conseguem porque descobrem que esse comportamento provoca comoção nos pais. Por mais que possa preocupar, os pais devem manter a ideia de que “sem plateia não há show”. O ideal é conter a ação da criança sem dar atenção ou demonstrar comoção pela atitude. Você pode, por exemplo, colocar um travesseiro ou uma almofada embaixo da cabeça dele e sair de perto, ou tire o pequeno do local onde está sem conversar e coloque-o em um ambiente mais seguro. Sem conseguir chamar sua atenção com a autoagressão, a criança vai buscar outras possibilidades, como apagar e acender a luz, ligar e desligar equipamentos eletrônicos etc. Só fique atenta para a possibilidade de esse comportamento estar refletindo algum problema emocional, que, aí sim, merece a atenção dos pais.

Se a criança começar a apresentar comportamentos autodestrutivos, como se arranhar, bater em sua cabeça e puxar os cabelos, frequentemente em situações cotidianas, vale a pena consultar um especialista porque isso pode indicar uma tentativa da criança de evitar o contato com algo que esteja lhe causando angústia.
FONTE: http://bebe.abril.com.br/materia/a-terrivel-crise-dos-2-anos

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Teimosia!

Vocês, que acompanham o blog, já sabem que a minha M está naquela fase do "não". Nega tudo! Sim, eu já percebi que ela sabe empregar a palavra quando realmente não quer algo. Mas também já dei conta de que, por vezes, ela entra no "embalo" do "não, não" por tudo, para tudo, e sem nem ouvir o que eu tenho para dizer.

Claro que eu sei que esta é uma fase absolutamente normal. Eu cheguei  à rápida conclusão de que se trata apenas de um momento de crescimento. Ela agora já percebe que pode tomar decisões, que existem opções, que tem vontades e desejos, e que ela própria já consegue ter um papel importante dentro da sua rotina. E para isso, está a exercitar o seu poder. Como conhece o "não", faz uso dele a torto e à direita. 

Estamos agora a treinar o "aceitar". Por exemplo: antes a M só dizia não a tudo, independente do que ouvia, e muitas vezes nem queria negar, mas estava a dar treino às decisões. Agora, ela já abre um sorriso quando uma das opções que lhe dou, agrada. 

Estou a agir diante desta fase, muito por instinto. Mas hoje resolvi ler sobre o assunto, e confesso, fiquei feliz por estar no bom caminho. Mas percebo absolutamente os pais que possam não compreender bem este momento, e trocar os pés pelas mãos na hora de lidar com o "não". E este post existe por isto mesmo. Para elucidar algumas questões, e fazer com que os pais entendam que este fascínio do negar, chega tão de repente como se vai embora, e que pode ser extremamente fácil "tratar" dele.

Vou mostrar aqui, quatro passos a seguir pelos pais. Muito simples, e certeiros.

1 - Ofereça opções:

Chega a noite, e com ela vem a hora de vestir o pijama. Muitas das vezes, a resposta inevitável será o "não". Oferecer opções é uma ótima forma de evitar chatices para os dois lados. Dar duas opções à criança é o suficiente para que ela se sinta integrada nas decisões.

"Queres fazer um jogo com o João, ou queres brincar sozinho?
Queres vestir o pijama branco, ou o amarelo?
Queres arrumar os legos, ou queres guardar os lápis?
Queres ver os Caricas, ou desenhar?
Queres levar a boneca para o banho, ou preferes o baldinho da praia?"

Esta técnica pode ser usada para tudo, evitando grandes aborrecimentos. Use e abuse da estratégia, desde o escolher o que vestir, até ao momento de resolver possíveis briguinhas. 
É importante lembrar que nós, pais, sabemos mais do que os nossos pequenos, e que tudo pode ser transformado em "opções".

2 - Ensine outras respostas:

Como é o caso da minha M, muitas das vezes as crianças insistem no "não" por desconhecerem outras palavras. Sendo assim, é válido ajudar a fortalecer o vocabulário do filhote. E podemos fazer isto através de brincadeiras. 
"Qual é o contrário de não?
O que vem entre o não, e o sim (talvez, pode ser, mais ou menos)?
Qual é o jeito mais simpático de dizer não (não, obrigado)?"

Também podemos criar jogos engraçados, para tornar a arte do negar menos automática...

"O que o cão diz se perguntarmos -queres um osso grandão?"

Quando o seu filho chegar ao "siiim", você pode tentar a pergunta verdadeira, que se quer fazer...

"Hum...o cão quer o osso grande! E tu, queres a sopa e a fruta? Huuum...que booom..."

3 - Use o "não" com moderação:

Em muitos casos, a criança pode estar com alguma fixação pelo "não" por ouvir a palavra diversas vezes. Cabe portanto ao adulto, moderar no uso dela, tornando a situação menos vulgar. É importante tornar o "não" menos frequente, tentando economizar no seu uso. Para tal, podemos usar palavras alternativas, claro que, sempre que possível. Uma forma de o fazer é usar frases específicas para a situação.
"Nunca se bate do gatinho...
Vamos falar mais baixo, por favor...
Tira a mão daí...
Vamos brincar sentadinhos aqui...
Vamos comer iogurte do bebé?"

4 - Seja firme quando necessário:

Por mais "esquematizados" que possamos estar, e preparados para seguir estes passos...vai haver momentos em que, por mais que nos esforcemos, será inevitável combater o "não" com uma ordem. Afinal, é preciso estabelecer limites em diversas situações, como as que envolvem a segurança da criança, por exemplo. Mas não só. O limite é fulcral por diversas razões, pois é importante que o pequeno ou a pequena, entenda que mesmo sabendo ter vontade própria, não podemos exercê-la sempre e em todo lugar, pois isso, entre outras coisas, pode gerar muita confusão.
Assim, não há nenhum problema que o seu filho ou filha perceba que há momentos em que ele não pode fazer escolhas. No caso de ele não entender, vale explicar a hierarquia da questão:

"Porque eu sou a mamã, e o meu trabalho é cuidar de ti. Ponto final."



E é isto, queridos pais. Eu, por cá, vou continuar no treino do sim e do talvez...combatendo o não desenfreado com todas as armas. Espero que estas sugestões possam também ajudar alguém aí deste lado... ;)

E lembrem-se...a educação começa desde pequeninos, em casa, e a responsabilidade maior é dos pais. Formar crianças que entendem limites, e aceitam situações, é criar a possibilidade de um futuro feliz...para elas, principalmente, mas também para nós e para o mundo. ;)

Beijinhos cá de casa!






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quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Rabugice da M.

A minha M. anda uma rabugenta. Mesmo. 
Anda naquela fase dos "nãos", em que tudo incomoda, é feio ou está fora do lugar.

Hoje, só consegui que aceitasse o almoço às 15h! Só queria sentar-se à mesa numa única cadeira, e lá conseguiu, pois a tia L cansou da birra e saltou para um outro lugar da mesa.

Depois era um tal de empurrar a sopa, cuspir o peixe e gritar com o ovo...
queria o pão, a bolacha e tudo o que não podia ser.

Então, pacientemente, retirei a comilança da mesa e coloquei a pequena rebelde para fora da cadeira. Wow! Foi um Deus me livre, como podem imaginar...mas não voltei atrás na decisão.
Quase que prontamente, ela decidiu deixar de medir forças comigo, e comeu tudo. Tudinho. 
Claro que a ver televisão, porque nem tudo pode ser perfeito.

Fico triste, mas ainda  não perdi completamente a paciência... 
e pelo contrário, até estou mais compreensiva e carinhosa. Politicamente correta.
"Até quando?" é a pergunta que, cá dentro, não quer calar.



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sábado, 29 de dezembro de 2012

Agora quem manda é o pai! (Queria eu!)

Ui...! Estou cansada...Verdade...acreditem!

A M. está numa fase um pouco chata...está "viciada" na mamã, mais do que nunca! 
Oh, meus queridos e queridas...eu sou daquelas mães, tipo "galinha" mesmo...que nunca negam o quentinho do colo...muito menos aquela vozinha querida que apaga qualquer mazela.

Mas, às vezes quero ser gente. Quero ser a mulher que se arranja para sair para jantar com o marido, que põe perfume, que veste a roupa que recebeu no Natal. Que se põe bonita, com batom vermelho e tudo mais...

Fogo...antes era tão simples. Era algo que eu fazia  com a maior simplicidade. Hoje, é um luxo. Não me levem a mal...não quero parecer menos mãe por isto...

Desde que a M começou a andar, tudo é muito mais fácil. Eu, que sou apologista de se fazer tudo em casa, desde a unha até ao cabelo, passei a ter uma liberdade que me parecia impossível...acreditem. 

Desde sempre, fui ao cabelereiro reforçar a minha "loirice", e pintar as (poucas e curtas) unhas que tenho. Mas quando me tornei mãe, passei a fazer  tudo em casa...e até brinco com o maridão...porque ele tem sorte em ter a mulher "prendada" que tem...!  E tem mesmo!

Eu penso que sei fazer tudo...tolice a minha! Um dia destes, resolvi pintar o cabelo de loiro em casa. Ui! Grande desgraça! Vocês nem imaginam o tom de laranja que recebi...mas como não sou nenhuma desistente, e gosto de provar algumas coisas, lá fui eu pintar as madeixas outra vez. E deu certo. Amém. 

Já estou "poupada" de ir ao salão outra vez. "Acastanhei", e estou satisfeita. ;)

Vocês devem estar a pensar no porquê de eu estar a falar na minha cabeleira, quando o assunto era a minha M...e eu explico...eu errei! E errei feio! Resolvi fazer tudo em casa, para não ter que deixar a  minha pequena sozinha, sem mim. Para não ter que pedir que alguém ficasse a olhar por ela...e porque, no fundo,  não quis deixá-la sem a mãe. Eu depositei na M. tudo o que podia...e agora ela não pode viver sem mim! Então, tenho um pai com algum ciúme...e uma família que lhe acha uma mimalha. 
  
É verdade, e eu sei. Não nego  e nem tento arranjar desculpas para isto. De facto, a M. está "viciada" na mamã. Mas, minha gente, eu nunca fui mãe...não sei as regras, e claramente, vou errar. Como qualquer uma de vocês. O meu pecado é ter criado alguém que me ama absolutamente, e que confia em mim mais do que em qualquer pessoa. Se me arrependo? NÃO! Nunca. Se reflito sobre isto? Sim. Não sou nenhuma burrinha...e obviamente, penso nos sentimentos da minha filha.

Sei que ela tem um pai mais do que maravilhoso, e uns avós que valem ouro...sei de tudo isto! Mas, então como posso partilhar o amor da M. com estas pessoas? Ela adooora estar com eles...brincar, jogar, passear...mas então, chega a hora da sopa, da fruta, do leite...e também chega a hora de dormir...e ela não quer ninguém...só à mãe.

E o que eu faço? Porque é preciso que ela aceite outras situações, outras pessoas...ou a menos ao pai! Aí, eu penso: será uma fase? Será que não estou a dar espaço? Será que simplesmente, assumo tudo e não deixo que o J. seja pai e tome o seu lugar?

Hoje, após quase dois meses a ser mãe a tempo inteiro, saí para jantar com o maridinho, e a avó J. ficou com a M. Era quase meia-noite quando voltei, e lá estava ela...acordada e à minha espera. Não conheço bebé da sua idade que fizesse tal coisa. A maioria, penso eu, teria cedido ao sono. Mas ela não. Mal ouviu a campanhia, já estava a chamar pela mamã...

E agora, minha gente?! Como eu faço para a M. assumir que se sente segura com o pai, a avó, ou a tia? Como faço?

Só sei que a apanhei na casa da avó, coloquei-a no carro e segui para casa. No caminho, ela esteve sempre acordada, agarrada à minha mão. Quando chegamos à casinha, a M. pediu para ver  a Gabriela (a novela), que lindamente chama de "bela". Ela sabe que esta, é a hora de dormir. Como sou noveleira e tenho sempre o último episódio gravado, pus a "Bela" a rolar...

Mal a M. adormeceu. corri para o "papá", avisando que aquela era a hora de ele assumir a cria...ele, que estava entretido no computador, ficou sem entender...tamanho era o meu desespero! Apressadamente, eu lhe disse: "a M já está a dormir. Já está na cama, e se chorar, tu assumes!". E então ele perguntou: " E se ela chamar por ti?". E eu respondi: " Faz de conta que eu morri. Morri mesmo. Não existo".

Hahahahaha...foi uma risota! Mas ao menos fui honesta...

Deixem-me tomar a minha taça de vinho em paz, please...uma vez, de vez em quando.

Desculpem lá o desabafo... :p

Beijocas minhas, e tenham um bom domingo!


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quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Brinquedos educativos e cheios de charme!

Hoje quero falar de umas coisinhas maravilhosas, que tenho visto nas minhas viagens pelo mundo virtual. Brinquedos, brinquedos e brinquedos! Bonecada com cara de infância...cheia de romantismo e com um conceito fantástico.

Cada vez que encontro uma marca que dedica-se a estas coisinhas, abro um sorriso. Porque é tão mais bonito criar brincadeiras com artigos que trazem carinho e cuidado para a hora da diversão!

O primeiro destes artigos a chamar a minha atenção foi o Jogo da Memória, criado pela Casinha do Botão. É uma delícia! É composto por almofadinhas feitas com tecido 100%  algodão...e é mesmo muito bonito! Já estava louca para encomendar um para a M. , mas a avó J. antecipou-se no presente...hehe

Lindo, não é?!

E quem não gosta do bom e velho jogo do galo??? No Brasil, chama-se jogo da velha, e fez parte de toda a minha infância. A página da marca Baú de Presentes oferece uma opção muito mais criativa deste tradicional joguinho...criada em tecido, e com saquinho para não perder as peças...




Outra marca que faz coisas lindíssimas é a Petite Numi. Há cá dentro uma vontade enorme de encher o quarto da minha M. com as bonecas vintage, feitas à mão e que trazem um guizo dentro...sinceramente, só vejo amor quando olho para aquelas criaturinhas de pano...


Bonecas Vintage

Boneca Noeli

Agora, temos as almofadinhas muito-mais-que-lindas da Trapinho. Digam lá se até a hora do aconchego não pode transformar-se numa linda brincadeira... ;)






E todos vocês já devem conhecer a marca Tuc Tuc...certo?! Pois bem...agora já podemos ter brinquedos cheios de charme, com um ótimo conceito, e que levam esta assinatura. 

É que a Tuc Tuc está a lançar no mercado uma nova gama de brinquedos educativos, comprometida com a criação de produtos que melhorem a qualidade de vida das crianças. 

O leque de propostas inclui puzzles empilháveis, andadores, chocalhos, etc etc etc...são adequados para crianças dos 0 aos 3 anos, e o mais Cool é que são brinquedos feitos em madeira, estampados com tintas à base de água (não tóxicas), para que os miúdos estejam rodeados de materiais naturalíssimos...




E são estas as minhas sugestões para tornar a hora da brincadeira mais prazeroza, mais natural, mais educativa. Escolhi cada uma delas a dedo, porque para além de desenvolver a psicomotricidade, são ótimas opções para estimular a criatividade e a imaginação das crianças. E a razão é simples. São brinquedos que fogem ao óbvio da sonoridade e das luzes. São pensados para proporcionar diversão, oferecendo asas às crianças...e estimulando a sua capacidade afetiva.

E para nós, mamãs, é um miminho para os olhos...que traz consigo o cheiro da nossa criancice... ;)

Espero que gostem, e que experimentem! ;)

Beijinhos


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sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Desabafo de Natal

Ando, há tanto, desencantada com o rumo que o país está a tomar. Portugal sempre foi e sempre será um pedaço enorme de mim, que me enche de afetos, e que costumava trazer-me satisfação, e orgulho da minha escolha de estar cá. 
Vim para estudar, atrás do jovem sonho de viver novas experiências e sair da caixa. Assim o fiz, e posso dizer que vivi imenso e intensamente cada oportunidade que me apareceu à frente. Fiz amizades lindas, descobri novas formas de festejar e estar na vida. Andei por muitos pedacinhos desta terra, e aprendi a apreciar a beleza de ter as 4 estações do ano, de verdade e por inteiro. Com cada imagem que nos apresentam...com cada colorir que se renova. Hoje gosto tanto deste "relógio" da natureza, que penso já não conseguir viver sem.

Mas agora o frio chega tão profundamente, que faz-me pensar...Estamos quase no natal, e esta, que sempre foi uma altura de enorme alegria, agora tem um certo toque que amarga. É...ao menos para mim, o natal tem tido um sentido diferente. Sempre foi um momento de dar graças, querer o bem. De meditar sobre os cantinhos do mundo, e sobre quais seriam os seus contextos nesta quadra. Mas fazia isto com o coração preenchido de vermelho, iluminado com mil e uma luzinhas piscantes e coloridas. Agora, já não é assim. Penso mais acastanhado, escurecido...sinto mais. E a desilusão é maior e mais funda.

Tenho pensado no futuro, no que me aguarda pela frente. No futuro da minha amada M., da minha família...e no futuro do lugar que escolhi para viver e construir o meu ninho. Protegido, seguro. Sinto-me então, ameaçada pelo natal. Simplesmente, porque ele me faz pensar. Mas sei, na perfeição, que a minha ameaça é outra...e é a mesma que assombra todo o país.
Quantas crianças não terão o natal que merecem? Quantos pais vão descobrir o sentimento de impotência, a pensar que estão a falhar? Quantos vão se sentir pequenos? Afogados na desilusão de um país que só tem perdido uma batalha a seguir à outra...

Sou uma otimista incurável, e ver o lado belo da vida é algo que não consigo contrariar. Quem me conhece, sabe bem que diante das pedras, eu vejo as flores que estão a seguir. Mas tenho tido alguma dificuldade em manter este espírito. Talvez seja um efeito colateral da maturidade, não sei. Mas talvez não. Penso que estão a tirar-me a esperança e a capacidade de admirar. Coisa que não tem perdão possível.

Tenho tecido, interiormente, um manto de planos. São tantos...! Cada um deles, é como um retalho de pano achado dentro de mim, e tem a sua beleza e os seus tons. Cada um deles se complementa e não pode existir em solidão. Um inspira o outro...que inspira outro, e outro, e outro. Vasculho e dou uma sacudidela às minha ideias, lembranças, amores. E assim, surgem os planos de algodão, cetim, chita. Alguns se criam, outros se recriam, e assim vou tecendo, tecendo...assim, na ficção, na imaginação. Porque a verdade dos fatos, é que vivo num atelier sem estrutura, desmoronando. Um lugar que começa a ser abandonado, porque não dá retorno aos que nele trabalham. Um lugar que parece sem luz.
Este mesmo atelier, já foi diferente. Tinha crianças a brincar, pais traquilos que as criavam, velhinhos e velhinhas, que sentados em cadeiras de balanço, bordavam e bordavam, na certeza do reconhecimento de uma vida.

Mas um dia, chegou um circo à esta terra. Diferente dos outros. Grandioso, com palhaços educados, que sorriam e chamavam para o espetáculo. O povo, cansado dos mesmos (bobos) palhaços e das palhaçadas que nada traziam de novo, entrou na fila, comprou bilhete, fez propaganda. Queriam ver coelhos a sair da cartola, e lobos em pele de cordeiros. Prometiam até o Gasparzinho. Pois bem...foi neste dia, que o atelier desmoronou, entristeceu. Baixou as persianas e encostou as portas.
Foi neste dia, que muitos sonhos enterraram-se dentro de nós. Foi neste dia que deixei de ter o direito de alinhavar os meus pedaços de retalhos, os meus planos.

Não se sabe bem o porque, e pelas ruas há confusão e desentendimento. Há balbúrdia. Há pobreza. Há gente infeliz e desacreditada. E o coelho continua a sair da cartola.
Agora, só se  pergunta por aí quando é que o circo vai embora. Mas, minha gente, o circo veio para ficar.
"Até quando, até quando, até quando..."
Sabem...é a primeira vez que vejo um circo que não condiz com o natal...

(Desculpem o desabafo! Sei que o cantinho é da M. , mas também é da mamã aqui...)

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segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Happy M.

Yes, I have a happy baby!

Ontem fomos visitar os avós paternos da M. , e o papito aproveitou para ver o Porto jogar. Gosto muito dos fins-de-semana, porque nos permitem estar com a família, e sair um pouco do nosso contexto. Mas também fizemos um outro passeio, para que a pequena estivesse com gente da sua altura.

A M. , como já sabem, adora estar com outras crianças. É raro conseguirmos juntar a nossa princesa à canalhada, porque o papá tem uns horários de louco. Mas desta vez, conseguimos fezer-lhe este miminho.

Ora bem...eu já sabia que a minha pipoca é um doce muito doce. Mas como mãe é mãe, cai sempre bem quando confirmamos que as nossas crias são mesmo fantásticas, e que isso não é apenas fruto da nossa imaginação. ;)

Fiquei a observar a minha princesa durante grande parte da noite, e percebi que tenho feito um ótimo trabalho. Yeah! Ainda não conheci bebé mais carinhoso(a)! Eu tive que parar para apreciar este traço da M., pois tantas são as vezes que alguém nos diz que "ela é tão meiguinha...".

A M. esteve toda a noite deste domingo a tentar estabelecer vínculos com os outros pequenos, que pouco lhe davam bola. Andava atrás de um rapazote, com os bracinhos abertos, enquanto ele fugia ou protegia-se do "contacto". Quando conseguia obter algum sucesso, a M. ria-se enquanto afagava um cachorrinho estampado no pijama do menino, e fazia "au,au". Ai, que graça. Só visto. Tínhamos que estar a arranjar uma distração, para que ele tivesse sossego. Afinal, coitado do rapaz não queria mesmo estar naquele "chamego" com ela.

Com uma menininha, ainda mais bebé  (a M. é mais velha), não foi muito diferente. lol. A M. chegava junto da outra pipoca e dava abracinhos, fazia "ó-ó", distribuia beijinhos. O máximo que recebeu de volta foi um carrinho no meio da testa. Ou dois. A minha filha ainda não aprendeu a revidar, e a sua inocência é de uma beleza absoluta. Quando levou um revés da outra criança, apenas fez uma expressão de tristeza, fez beicinho...e olhou à volta, como quem fazia queixa aos pais. Rapidamente, esqueceu o assunto e voltou a brincar...até ter outro "ataque" de abracinhos e beijinhos, e voltar a correr atrás da pirralhada... :)

Eu sei que a vida vai levar embora um pedaço desta M. que hoje vejo. É verdade e é inevitável. Mas apego-me a cada sorriso que planto e colho, e fico em paz, por perceber que estou a criar um ser humano para ser feliz. Hoje, não a deixo cantar uma música sozinha, e se ela dança, eu danço também. Sorrio, mesmo quando não tenho forças nem para pensar. Não deixo que a minha filha sinta a minha falta, e  assim, sei que ela vai crescendo tranquila e cercada de amor.

Independente do que o futuro nos traga, estou a ser uma "mãe borboleta", a seguir pelo caminho certo... ;)

Beijinhos


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sábado, 24 de novembro de 2012

Educação

Uma reflexão sobre quem estamos a criar para o mundo...


Hoje, começamos o dia da mesma forma...com um belo sorriso no primeiro encontro de olhares, um beijinho com abraço, e um "olá, princesa"!
"Vamos trocar a fralda? A tua cinderela nos ajuda!". De Cinderela na mão, soltava risinhos. "Agora, o sapato", e lá estava a M. toda contente, sabendo que viriam aí os primeiros passinhos do dia.
É...estava perto da primeira crise, a matinal. A seguir ao leite, É HORA DE...? Escovar os dentinhos. Uuuiii...já preparo o pequeno-almoço a pensar no grande berreiro que vem a seguir! Sim, ela DETESTA limpar os dentes. Mas, como boa neurótica que sou, não dá para ficar adiando muito...pois já fico a imaginar os bichinhos a lhe estragarem aqueles oito ratinhos que ela tem na boca. E se não tem outro jeito, o negócio é contar com a companhia do choro, o que (crueldade a minha) ajuda, pois ela aaaaaabre bem a boca. :o
O pai, muitas vezes, chega junto...tenta brincar, fazê-la rir...coisa que fiz durante muito tempo, mas que não mudou nada. Então, de forma muito prática, resolvi que esta é uma tarefa que TEMOS que cumprir juntas, e a M. tem de aceitar. O choro vem, e vai embora mal acaba o ritual da escova de dentes. Simples assim. É chato? É. Dá peninha? Dá. Mas não estou a fazer-lhe mal, muito pelo contrário. 
Claro que continuo a tentar fazer com que tudo seja divertido e prazeroso. Mas às vezes, simplesmente não dá. A regra é vir com a escova na mão, um grande sorriso, e a frase :"Ai, que booooom!". Não funciona, mas apego-me à esperança de que em breve, a M. vai compreender melhor. 
Hoje, a vaguear no Facebook, encontrei um post interessante na página do blog As Maravilhas da Maternidade. O link que lá está, nos leva para uma página do jornal Público, e foi um verdadeiro consolo.   

"Porque devem os pais pôr os filhos a chorar?"

“As crianças precisam da tristeza, da tragédia para crescerem.
 Precisam de ter as suas lágrimas.”

Quando me libertei do medo de fazer a M. chorar, aprendi muita coisa. E aconselho. A pior parte destas situações, é quando estão por perto os avós. Avó e avô são um tipo de educador que não suporta ver a criança frustrada. Pensam que se ela não quer ir para a cadeirinha, então não vai. Que se quer colo enquanto estamos a finalizar o jantar, deve ter. Que se não aceita que a mãe vá tomar banho, então a mãe fica podre. Não pode ser. E cá em casa, não é. A minha mãe, a avó J., foge um pouco à regra. Mas nem tanto.
Confesso que no início, custou imenso. Mas eu passei a ver que chorar não mata, e que na maior parte da vezes, as lágrimas eram de crocodilo. Quando a M. era mais bebezinha, só queria estar ao meu colo. Para conseguir tomar banho, era sempre uma luta, porque o pai não suportava tê-la infeliz nos braços. Mas finquei o pé. Hoje em dia, a pequena compreende melhor. Queixa-se, mas logo passa. A mesma coisa acontece quando a tiro da banheira (a M. adooora uma banhoca!). E assim vamos nos educando juntas...saltando as poças.

O psicólogo clínico Gordon Neufeld, do Canadá, esteve em Lisboa, na conferência “Vínculos Fortes, Filhos Felizes”, a falar do assunto. Segue abaixo, um pouquinho do que ele disse, extraído do jornal Público
Em suma, Gordon defende que a ideia de fazer tudo para que os filhos sejam felizes, evitando que chorem, está ultrapassada, e que a teoria de disciplinar sem que a criança chore, está desatualizada. Ele afirma que o bem-estar se atinge através da educação, e que esta deve ser de responsabilidade da família, e não do Estado.
Beijinhos

"O psicólogo diz que, para garantir o bem-estar de qualquer ser humano ou sociedade, é necessário preencher seis necessidades.A primeira é o “aprender a crescer” e para isso há que chorar, é preciso que a criança seja confrontada, que viva conflitos, de maneira a amadurecer, a tornar-se resiliente, a saber viver em sociedade.
A segunda necessidade é a de a criança criar vínculos profundos com os adultos, estabelecer relações fortes. Como é que se faz? “Ganhando o coração dos filhos. É preciso amarmos e eles amarem-nos. Temos de ter o seu coração, mas perdemos essa noção”, lamenta o especialista que conta que, quando lhe entram na consulta pais preocupados com o comportamento violento dos filhos, a primeira pergunta que faz é: “Tem o coração do seu filho?”, uma questão que poucos compreendem, confidencia.E dá um exemplo: Qual é a principal preocupação dos pais quanto à escola? Não é saber qual a formação do professor ou se este é competente. O que os pais querem saber é se a criança gosta do docente e vice-versa. “E esta relação permite prever o sucesso académico da criança”, sublinha Neufeld, reforçando a importância de “estabelecer ligações”. 
E esta ligação deve ser contínua – a terceira necessidade –, de maneira a evitar problemas. Neufeld recorda que o maior medo das crianças é o da separação. Quando estão longe dos pais, as crianças começam a ficar ansiosas e esse sentimento pode crescer com elas, daí a permanente procura de contacto, por exemplo, entre os adolescentes com as mensagens enviadas por telemóvel ou nas redes sociais, muitas vezes, ligando-se a pessoas que nem conhecem, alerta o especialista. 
O canadiano recomenda que os pais estabeleçam pontes com os seus filhos. Quando a hora da separação se aproxima, há que assegurar que o reencontro vai acontecer. Antes de sair da escola, dizer “até logo”; à hora de deitar, prometer “vou sonhar contigo”. Mas a separação não é só física, há palavras que separam como “tu és a minha morte” ou “tu és a minha vergonha”. Mesmo quando há problemas graves para resolver, a frase “não te preocupes, serei sempre teu pai” ajuda a lembrar que a relação entre pai e filho é mais importante do que o problema. Hold on to your kids é o nome do livro que escreveu e onde defende esta teoria.
A quarta necessidade a ter em conta para garantir o bem-estar dos filhos é a necessidade de descansar. Cabe aos adultos providenciar o descanso e este passa por os pais serem pessoas seguras e que assegurem a relação com os filhos.As crianças precisam que os pais assumam a responsabilidade da relação, que mantenham e alimentem a relação, de modo a que elas possam descansar e, nesse período, desenvolver outras competências. Uma criança que está ansiosa pela atenção dos pais não está atenta na escola, por exemplo. 
Brincar é a quinta necessidade a suprir. Não há mamífero que não brinque e é nesse contexto que se desenvolve, aponta Neufeld. E brincar não é estar à frente de uma consola ou de um computador; é “movimentar-se livremente num espaço limitado”, não é algo que se aprenda ou que se ensine. E, neste ponto, Neufeld critica o facto de as crianças irem cada vez mais cedo para a escola, o que não promove o desenvolvimento da brincadeira. “Os ecrãs estão a sufocar a brincadeira e as crianças não têm tempo suficiente para brincarem”, nota o psicólogo clínico que, nas últimas semanas, fez um périplo por vários países europeus, tendo sido ouvido no Parlamento Europeu, em Bruxelas sobre “qualidade na infância”. 
Por fim, a sexta necessidade é a de ter capacidade de sentir as emoções, de ter um “coração sensível”. “Estamos tão focados em questões de comportamento, de aprendizagem, de educação; em definir o que são traumas; que nos esquecemos do que são os sentimentos. As crianças estão a perder os sentimentos quando dizem ‘não quero saber’, ‘isso não me interessa’, estão a perder os seus corações sensíveis”, diz Neufeld.Em resumo, é necessário que os pais criem uma forte relação emocional com os filhos, de maneira a que estes sejam saudáveis. Os pais são os primeiros e são insubstituíveis na educação dos filhos e são eles que devem ser responsáveis pelo seu desenvolvimento integral e felicidade. Se assim for, estarão também a contribuir para o bem-estar da sociedade."
-Texto extraído do jornal  Público



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